quinta-feira, 4 de março de 2010

NOTAS POLÍTICAS (5)

A Sic-Notícias tomou a iniciativa de promover debates entre os três principais candidatos à liderança do PSD. Compreende-se perfeitamente a razão desta iniciativa, porque não está apenas a tentar apurar-se o que pensam aqueles candidatos acerca dos problemas do País, está também a procurar-se que a opinião pública possa informar-se sobre as ideias principais de quem, amanhã, pode ser chamado a exercer o cargo de Primeiro-Ministro de Portugal, tendo em atenção a posição tradicional do PSD como partido de governação.

Com esta iniciativa a SIC demonstra, uma vez mais, que tem o sentido de verdadeiro serviço público, que o Estado não lhe paga. Em contrapartida, a nossa RTP, que é paga com o nosso dinheiro, anda distraída a filmar permanentemente as várias “inaugurações” e outras iniciativas do Primeiro-Ministro ou de membros do seu Governo. É nisto que dá este modelo de televisão pública e este modelo de supervisão da comunicação social (a ERC), ambos enquadrados na mesma linha política.

Albano Neves e Sousa - Cacusso

ANGOLANO

Ser angolano é meu fado e meu castigo
Branco eu sou e pois já não consigo
Mudar jamais de cor e condição
Mas, será que tem cor o coração?

Ser africano não é questão de cor
É sentimento, vocação, talvez amor.
Não é questão, nem mesmo de bandeiras,
De língua, de costumes ou maneiras…

A questão é de dentro, é sentimento
E nas parecenças de outras terras,
Longe das disputas e das guerras
Encontro na distância esquecimento.

(Poema de Neves e Sousa, 1979, in “ NEVES e SOUSA pintor de Angola” )

segunda-feira, 1 de março de 2010

Paulo Flores - poema do semba

NOTAS POLÍTICAS (4)

No programa da SIC-Notícias do dia 26 de Fevereiro, sexta-feira à noite, dirigido por essa jornalista reputada que é Ana Lourenço, discutia-se o inevitável “Face oculta”. Eram comentadores políticos os conhecidos Luís Delgado e Bettencourt Resendes.

A meio da profunda análise política que desbobinava com aquele ar convicto que se lhe reconhece, Luís Delgado sai-se com esta:

“Confesso que sinto um fraquinho por este Primeiro-Ministro”.

Eu cá já andava desconfiado que o “Face oculta” ainda escondia algumas coisas…

NOTAS POLÍTICAS (3)

Manuela Ferreira Leite declarou num almoço da Câmara de Comércio Luso-Francesa que, se Portugal continuasse pelo caminho que a Grécia seguira, sem nada se fazer, dentro de uns dois anos estaria na situação daquele país.
Foi isto que se ouviu claramente nas reportagens televisivas e, ao ouvi-lo, encolhi os ombros e disse para os meus botões: cá está mais uma verdade de La Palisse dos nossos dirigentes políticos.
Puro engano! Pois não é que, de imediato, o Ministro da Presidência, o Ministro dos Assuntos Parlamentares, o Ministro das Finanças, pelo menos, saltaram para ribalta política e começaram a desancar na senhora, acusando-a de ser anti-patriótica, de estar a agitar os mercados financeiros internacionais, de mentir porque Portugal não estava como a Grécia (o que, de todo, não fôra dito), enfim, exigindo-lhe que se retratasse?!
Pasmei. Se aquela tão inócua afirmação era susceptível de colocar em xeque os interesses nacionais face aos mercados internacionais, então o melhor para os interesses do País seria ignorá-la, não empolá-la. Como não foi isto o que se fez, a única explicação plausível era a de que se estava face à mais baixa politiquice do nosso quotidiano político.
Cada vez mais me convenço de que o principal problema do País não é o défice orçamental, a dívida externa, o desemprego: é a óbvia falta de qualidade dos nossos governantes, a pobreza do nosso sistema partidário que lhe serve de suporte .E disto pouco se fala com receio de se ser acusado de anti-democrata, quando é exactamente o contrário: é da boa qualidade da vida partidária que em muito, embora não em exclusivo, depende a saúde da nossa democracia.

NOTAS POLÍTICAS (2)

A tragédia que se abateu sobre a Madeira levantou-me um sem número de sentimentos e de reflexões. Gostaria de destacar apenas as seguintes:
1) Toda a Nação sentiu e chorou o drama terrível por que passou a Madeira e as suas gentes. Fomos uma nação unida, em que a autonomia regional não divide, antes agrega o que secularmente é um só País e um só Povo.
2) Os madeirenses revelaram desde o primeiro minuto da tragédia que sobre eles desabou uma espantosa capacidade de resistência. Não se ouviram choros, não se escutaram lamechices, não se viu ninguém parado, de braços caídos, a carpir. Responderam como uma mola ao apelo do Governo Regional e deram um exemplo de que o País, no seu todo, bem precisa: trabalho, afinco, dentes cerrados. Só assim, aliàs, se vencem as adversidades, o resto são balelas para épater le bourgeois.
3) É justo realçar também a prontidão com que o Governo da República, Primeiro-Ministro à cabeça, manifestou uma resposta de apoio à Madeira, sem a qual não será viável a indispensável reconstrução do muito que foi destruído. E foi repousante ouvir a resposta de Alberto João Jardim.Vamos ver por quanto tempo se aguenta esta “cooperação estratégica”…