quarta-feira, 31 de março de 2010

TAMBOR

Canta tambor, rufa tambor
Sensual, quente, grita e clama
Que uma só hora de amor
Queima a vida numa chama.

Não há voz mais pura
Para embalar cantos de amor
Que a voz quente do tambor
Batucando a noite escura…

Canta tambor, rufa tambor
Sensual, quente, grita e clama
Que uma só noite de amor
Queima a vida numa chama.

(Poesia de Neves e Sousa)

NOTAS POLÍTICAS (32)

Ouvi ontem Morais Sarmento responder na Comissão de Ética da Assembleia da República. Resposta às acusações que na mesma Comissão, dias antes, Henrique Granadeiro lhe havia dirigido.

Se eu fosse Henrique Granadeiro, e porque não desmentiu o que Morais Sarmento afirmou, tinha já pedido a demissão do elevado cargo que ocupa. Há uma coisa que se chama honorabilidade.

NOTAS POLÍTICAS (31)

As palavras de felicitações publicamente dirigidas pelo Presidente da República ao novo líder do PSD, logo seguidas por referências à necessidade de estabilidade política, desencadearam já o costumeiro burburinho político. E porquê? Porque foram entendidas como um “condicionamento” inadmissível à autonomia e independência políticas de que deve beneficiar a nova liderança do PSD.

Eu sempre aprendi, e a experiência da vida ensinou-me, que só nos deixamos condicionar se formos tão frágeis que o consintamos. Não quero acreditar que Passos Coelho seja tão frágil como isso.

E, depois, o que o Presidente da República fez foi acentuar, uma vez mais, aquilo que tem repetidamente dito: que a estabilidade é uma condição da governabilidade e que o País está tão carecido de ser tão (bem) governado como estamos carecidos de ter trabalho ou pão para a boca.

Eu sei que há os eternos contestatários, os que não acreditam em nada disto, os que estão descrentes e, até, os que já estão verdadeiramente zangados com Cavaco Silva, tendo sido seus apoiantes.

Tudo bem. Deixem-me recordar a todos esses apenas duas simples coisas que acabam de ter lugar já depois das declarações do Presidente da República. A primeira é o Relatório da Primavera do Banco de Portugal, que revê em baixa as previsões do Governo quanto a algumas das principais variáveis macroeconómicas do País, designadamente o crescimento do PIB. A segunda é a notícia de que a Grécia viu ontem disparar de novo as taxas de juro que os investidores lhe reclamam para lhe emprestar dinheiro, o dinheiro de que carece para sobreviver no dia-a-dia.

Já sei que nós não somos a Grécia…Espero que, ao menos, não sejamos inconscientes.

NOTAS POLÍTICAS (30)

Sempre apreciei muito escutar as intervenções políticas de Ângelo Correia na SIC-NOTÍCIAS, que é onde costumo ouvi-lo.

Ontem, segunda-feira, pronunciou-se acerca do significado da vitória de Passos Coelho para a presidência do PSD e sobre o que este iria fazer de imediato, terminando as suas reflexões com a questão do relacionamento do novo líder com Cavaco Silva, a quem não deixou de enviar várias “directas”.

Gostei de o ouvir, claro. Mas, de repente, percorreu-me a estranha sensação de que tinha acabado de escutar as primeiras instruções públicas dadas por quem sabe muito e é um velho “barão” do partido ao novo líder do PSD. Mas isto não passou, certamente, da minha habitual imaginação…

MÃE ÁFRICA

TABU OS NEGROS CONTRA BRANCOS ALBINOS

segunda-feira, 29 de março de 2010

ORAÇÃO DE MACHO E FRÁGIL

Antes uma feia / cheia de graça / capaz de ir à lavra /
Comandar a casa / exigir bom trato/ conceber o fruto /
Bendito o teu ventre/ e eu serei contigo.

Zelarei pelo gado / pelo leite e pela carne /
Cumprirei viagens / cuida tu do fogo / renova o meu sangue /
E acolhe o vigor da minha semente.

E volve os teus olhos / para a minha chegada.
Sem ti não sou nada /
Nem valem os rumos /
Se os não entrelaças.

Fivela dos prazos / água da estação / remate dos mundos /
Fermento das festas / calda das nações /
Olha por mim
Mãe do homem.
Agora e na hora da minha fraqueza / amém.

(Poesia de Ruy Duarte de Carvalho, in “Lavra”)