domingo, 25 de abril de 2010

O Nosso Pai (3)


O texto que se segue foi por nós lido na Missa de Corpo Presente rezada na Igreja de St. Isabel na manhã do dia 13 de Abril de 2010. Recebemos muitas palavras no final e ao longo de vários dias. Todas diferentes no sentimento que encerram e que dedicámos ao pai. Algumas queremos aqui deixar. Para ficarem para sempre!


"O nosso pai gostava de escrever.
Em minha casa temos o hábito de lidar com os momentos difíceis, jogando.
Porque a escrita se faz de palavras, porque este é um momento difícil e porque jogar ajuda a gerir a dor, hoje jogo com palavras.
Deixei uma com o meu pai há algumas horas. Para que a leve e com ela escreva para sempre.
Com ele ficou a palavra MÃO. A mão com que nos acarinhou, nos segurou e empurrou na vida. A mão com que nos guardará sempre. As mãos com que o seguraremos, eternamente, junto ao coração.

A todos que o conheceram e se houver palavras que queiram entregar-lhe, façam-no e a sua escrita enriquecerá. " 

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O Nosso Pai (2)

Em Setembro de 1957, o nosso Pai ofereceu à nossa Mãe um livro de José Lins do Rego, intitulado Fogo Morto, com a seguinte dedicatória:

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Fotos do Último Jantar

Deixamos hoje uma foto do jantar com o Exmo. Sr. El Defensor del Pueblo de Espanha e o Exmo. Sr. Provedor de Justiça de Portugal, no passado dia 09 de Abril de 2010.

As restantes fotos desse jantar podem ser vistas aqui ou no menú lateral.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

O Nosso Avô (1)

Por Afonso Câmara, 7 anos, neto nº 6, filho de Paulo e Sofia Câmara.



quarta-feira, 14 de abril de 2010

O Nosso Pai

(texto lido na missa de corpo presente)

O nosso Pai morreu e é tão impossível não ter hoje, aqui, uma palavra, quanto difícil e estéril é tê-la.
Que palavra? Que podemos dizer-vos do Pai?
O que descobrimos é que a dor é directamente proporcional ao amor que sentimos por ele. Não fosse amá-lo tanto, não sofreriamos tanto. E por isso a palavra que hoje não pode faltar é de gratidão. Profunda. Obrigada Senhor por este Pai, por este homem, por este teu filho. Cheio de convicções, exigente, rígido, firme no caminho que sabia querer seguir. Pai infinitamente terno, sempre intensamente presente em nós, no nosso crescimento, na massa que nos moldou, nos princípios e valores que de forma tão fecunda enraizou em nós. Na família que construiu numa coesão de amor feita pelo exemplo.
O Pai morreu. A vida eterna que Te pedimos para ele, já a teve. Uma vida em cheio, uma vida cheia de liberdade e de felicidade.
Enquanto for recordado, celebrado, homenageado, respeitado e dignificado pela repetição do que foi e do que fez, não morrerá. Passará para outra forma de vivermos com ele. Mas permanecerá. Sempre!
Obrigada Pai!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

MUXIMA

COLONO

A terra que lhe cobriu o rosto
e lhe beijou o último sorriso,
foi ele o primeiro homem que a pisou!

Ele venceu a terra que o venceu.
Ele construiu a casa onde viveu…
Ele desbravou a terra heroicamente,
Sem um temor, sem uma hesitação,

- terra fecunda que lhe deu o pão
e lhe floriu a mesa de tacula…
Mas quando olhava a imagem pequenina
- Senhora da Boa Viagem -,
que a mãe lhe pôs ao peito à hora da partida,
O Homem forte chorava…
Foi arquitecto e foi também pintor,
porque pintou de verde a sua esperança…
Esculpiu na própria alma um sonho enorme,
por isso foi também grande escultor!
foi genial artista e mal sabia ler!

O que aprendeu foi Deus que o ensinou,
lá na floresta virgem, imensa catedral,
onde tantas vezes ajoelhou!
Viveu a vida inteira olhando o céu,
a contar as noites
da lua nova à lua cheia.
E o sol do meio dia lhe queimou a pele,
o corpo todo e até a alma pura.

Foi médico na doença que o matou,
ao homem ignorado e primitivo
que derrubou bravios matagais
e junto deles caiu
como caem árvores sacrificadas
à abundância dos frutos que criaram…

E a primeira mulher que amou e quis
foi sua inteiramente…
E era negra e bela, tal o seu destino!

E ela o acompanhou
como a mais funda raiz
acompanha a flor da altura
que perfuma as mãos cruéis
de quem a arrancou.

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Foi o primeiro em tudo,
na dor e no Amor,
na honra e na Saudade,
porque nunca mais voltou…
E nas terras de toda a gente
e de ninguém…
- estranha criatura ! –
…foi sua também
a primeira sepultura!

(Poesia de Tomaz Vieira da Cruz)