quarta-feira, 3 de novembro de 2010

NOTAS POLÍTICAS (42)

O sentido da solidariedade comunitária encerra o nobre alcance e potencia os efeitos
reciprocamente vantajosos de uma caminhada em conjunto.
Mas isso significa percorrê-la sem o atropelamento de uns ou o desfavorecimento iníquo de outros.
Visão idílica, esta?
Talvez.
No entanto, na longa sinuosa e, afinal, exaltante história da edificação desta Europa,
não é verdade que o ideal foi chama que em certos períodos esmoreceu – mas nunca se apagou?


In «Expresso» 04-05-1991

NOVEMBRO


A saudade desses dias soalheiros, neste Novembro sem esperança, não conforta, desespera. 
Ao bater do coração, foram manhãs de alegria, de sorrisos abertos, de momentos renascidos, de uma vida renovada, reconquistada.

Foram tardes de redescoberta doutros momentos,
doutras épocas, doutras eras.
Foste Tu outra vez, num reencontro feliz com a tua
própria essência.
E acreditaste.
Projectaste. 
Sonhaste.
Escreveste de novo, livre, sem condições, ao sabor do vento que no momento soprava.
Nós aqui ficámos, sonhando o teu sonho, esperando - sem esperança - o teu regresso.
Mas - muito mais do que isso - agradecendo o teu legado.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A ACTUALIDADE DO SINDICALISMO

Para que servem os sindicatos?


São ainda, agentes de democratização e Justiça?

Como sempre, eles são instrumento de Justiça social.


Não o conseguirão ser, porém, se não forem firmes nos seus princípios e nos seus valores.



A primeira questão é esta: não abdicar de princípios, não trocar valores por euros.

Um sindicato não é um mero negociante no mercado de trabalho – é um agente de defesa da dignidade do trabalhador como pessoa e um instrumento de coesão social e nacional.
Neste papel, o sindicato não pode ser acomodatício, tem de lutar.
Mas a luta laboral há-de ser justa.

Hoje, a mudança societária é de tal ordem que se verifica, frequentemente, que a greve não causa qualquer prejuízo à entidade patronal, mas, sim, aos cidadãos (greves nos transportes públicos, nos sectores públicos da saúde, da educação, das contribuições, etc.).
Isto coloca a questão dos princípios e dos valores.
Os sindicatos de hoje não podem viver dentro de uma campânula.
Pertencem à sociedade democrática.
Tal como os partidos e outras instituições nucleares da democracia, têm de ganhar o respeito dos cidadãos em geral e não apenas os votos dos seus associados.

Cabe-lhes captar militantes, conquistar simpatizantes, alargar a esfera da sua acção muito para além das negociações colectivas salariais.
Juntar-se a organizações de defesa dos direitos humanos, apoiar os emigrantes, cuidar dos jovens que entram no mundo do trabalho, não esquecer os reformados, promover a igualdade de direitos – na defesa do bem comum.

E renovar os seus quadros, formar novos dirigentes, reflectir e debater autonomamente as questões do nosso mundo e do nosso País, sem preconceitos e chavões, num espírito de humanismo e solidariedade

E não podem deixar-se capturar pelo universo partidário.

Esse é o sindicalismo que precisa de ser hoje para permanecer amanhã.
H. Nascimento Rodrigues

Publicado in «Jornal de Notícias» 21 de Novembro 2002
Pode ver o texto completo no site « Forum Abel Varzim Desenvolvimento e Solidariedade»

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS

A experiência política de Cavaco Silva constitui uma garantia de que é ele o candidato que melhor pode inspirar os portugueses para um futuro em que devemos ter mais confiança nas nossas próprias capacidades.

É, ou não verdade, que sempre Cavaco Silva defendeu a estabilidade política e a harmonia institucional entre os diferentes órgãos de soberania?
Exactamente porque sempre defendeu os valores da estabilidade do nosso sistema político;
Exactamente porque conhece de saber prático, e não de cartilha de manual, quanto pode custar ao país a instabilidade;
Exactamente porque sabe, quão decisivo é para os próximos anos uma cooperação institucional e estratégica com o Governo, a Assembleia da República, as forças políticas e os agentes económicos e sociais do país;
Cavaco silva é o candidato que preenche as melhores condições para garantir soluções de convivência salutar e de confiança no respeito recíproco dos poderes legítimos dos vários agentes políticos.
São razões objectivas, as que referi.
Permitam-me, porém, que lhe acrescente uma razão de natureza pessoal.
Trabalhei com Cavaco Silva como membro da sua comissão política enquanto foi líder do PSD.
À honestidade pessoal que ninguém em Portugal lhe recusa;
À vontade e à coragem de decisão que muitos lhe reconhecem;
À competência e à experiência profissional que outros tantos não lhe negam;
Eu posso afirmar, pelo contacto que com ele mantive, que a sua personalidade não é de um autoritário, ou de um insensível.
Vamos escolher entre personalidades políticas, é certo.
Eu já escolhi: a personalidade política de Cavaco Silva.
Mas escolhi também a pessoa humana que conheço em Cavaco Silva.

Por isso meus amigos, decidi votar nele e nele por Portugal.


Excertos de uma intervenção feita em Évora a 20 de Dezembro de 1995

terça-feira, 26 de outubro de 2010

SÓ SE VIVE UMA VEZ


Só se vive uma vez



Mas quantas vezes se morre


na estreita mesquinhez


do tempo louco que corre.


Neves e Sousa in« MACUTA E MEIA DE NADA » 1991

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

DEMOCRACIA


Os valores democráticos são universais, nos seus postulados de liberdade e de justiça.

A democracia é uma obra nunca acabada.
Exige uma persistência permanente e firme na sua construção.
É preciso não permitir que se caia no erro fatal de se conceber a democratização como uma «moda», que se mudará no fim da estação.
E é preciso igualmente que não se tombe na ilusão fatídica de se pensar que a democracia política pode sustentar-se sem a democracia económica e social.
As questões do trabalho, do desenvolvimento económico e da justiça social não podem ser solucionadas fora do quadro de uma verdadeira democracia.
A resposta ao problema da injustiça social, não pode passar pela utopia, que nos conduziria ao abismo.
Também não deve passar pela miragem de que amanhã acordaremos todos num mundo melhor.
Temos que ser realistas, pragmáticos, lutadores mas lúcidos neste eterno combate pela felicidade dos homens.
Se adoptarmos uma visão puramente tecnocrática, ou soluções exclusivamente economicistas, não só corremos o risco de não resolver os problemas suscitados pelas mudanças indispensáveis como, por outro lado, podemos gerar pobreza mais acentuada, mais desemprego, maior marginalidade social.
Estes são germes de violência.
A violência, qualquer que seja a sua causa corrói a democracia política, bloqueia a democracia económica e abala a democracia social.
Ao contrário, é em clima de tranquilidade que as reflexões se tecem e emergem com profundidade, as actividades se programam com racionalidade e os resultados se alcançam com eficácia.
Genebra, 23 de Junho de 1992

domingo, 24 de outubro de 2010

NOTAS POLÍTICAS (42)

O conflito é parte intrínseca da vivência política, económica e social.

Mas não se antevêem alternativas mais válidas à sua superação, e não se vislumbram processos
mais sérios de auscultação dos interesses colectivos e de definição participada dos interesses
gerais da comunidade, que não sejam os inspirados por essa vontade firme e por essa orientação
clara de organizar o «face a face» entre todos os intervenientes e de suscitar entre eles, em
liberdade, o diálogo responsável que o País deles espera.

Lisboa 1981