segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Há 36 anos - Esperança

















Há 36 anos, 6 semanas depois da revolução de de Abril, o Henrique recebe este cartão da Engenheira Maria de Iourdes Pintassilgo.

Por ele prepassa a entrega genuina, e talvez demasiadamente pura, com que muitos se dedicaram à tarefa de modificar esta nossa Pátria, no sentido mais nobre do termo.

O que falhou nesta nossa longa caminhada? O que deixamos pelo caminho?

sábado, 6 de novembro de 2010

O VALOR DO TRABALHO

"O desemprego representa um desperdício dos recursos humanos de um País, afronta a dignidade pessoal de cada homem, é uma limitação da liberdade individual e corrói, a prazo, a ossatura social da comunidade que somos todos nós.
A dinamização da economia é um imperativo para o aumento dos postos de trabalho e para a manutenção dos validamente existentes.
Sem investimento, (e este exige um clima de confiança política, de estabilidade governativa e de normalidade social), não será possível o aumento dos postos de trabalho e a consolidação dos já existentes.
Mas os postos de trabalho devem ser produtivos, devem constituir um factor de desenvolvimento económico e não um bloqueamento.
É uma ilusão, que se vira contra os próprios trabalhadores, pretender a segurança à custa de soluções artificiais, que nada mais representam do que a agonia conducente ao desemprego.
A produtividade, indispensável ao aumento do investimento, depende de todos os factores de produção e não apenas dos trabalhadores.
Nós somos – nós temos de ser – solidários com todos aqueles que em vão procuram um trabalho digno, e com todos aqueles que preocupadamente sentem hoje a fragilidade dos seus postos de trabalho.
Tem de haver um «amanhã» melhor para esses homens, mulheres, esses jovens.
 Porque eles são um potencial humano capaz de impulsionar o País, na força desesperada dos que por não terem trabalho, sentem incisivamente o valor desse mesmo trabalho.
 E também, e sobretudo, porque nunca haverá justiça onde grassar o desemprego."


Lisboa Maio de 1981

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

NOTAS POLÍTICAS (44)

Seria lastimável para todos, para além do empobrecimento do sucesso alcançado,
e contrário ao espírito de conjugação de esforços evidenciado,
que, agora, nos desgastássemos na contagem das folhas de um ramo,
sabido que as árvores têm tantos ramos e a floresta tantas árvores….


Novembro de 1990

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

NOTAS POLÍTICAS (43)

Como é que se pode falar em democracia política, económica, social e cultural quando

persistem privilégios seja de quem for?

Há que actuar em coerência com as ideias que se defendem.


As reivindicações sócio – laborais não podem perder de vista o condicionalismo económico.


Simultaneamente, o desenvolvimento e modernização da economia devem ter em vista a

satisfação das necessidades humanas e a redução das desigualdades sociais.

15 de Janeiro 1981

NOTAS POLÍTICAS (42)

O sentido da solidariedade comunitária encerra o nobre alcance e potencia os efeitos
reciprocamente vantajosos de uma caminhada em conjunto.
Mas isso significa percorrê-la sem o atropelamento de uns ou o desfavorecimento iníquo de outros.
Visão idílica, esta?
Talvez.
No entanto, na longa sinuosa e, afinal, exaltante história da edificação desta Europa,
não é verdade que o ideal foi chama que em certos períodos esmoreceu – mas nunca se apagou?


In «Expresso» 04-05-1991

NOVEMBRO


A saudade desses dias soalheiros, neste Novembro sem esperança, não conforta, desespera. 
Ao bater do coração, foram manhãs de alegria, de sorrisos abertos, de momentos renascidos, de uma vida renovada, reconquistada.

Foram tardes de redescoberta doutros momentos,
doutras épocas, doutras eras.
Foste Tu outra vez, num reencontro feliz com a tua
própria essência.
E acreditaste.
Projectaste. 
Sonhaste.
Escreveste de novo, livre, sem condições, ao sabor do vento que no momento soprava.
Nós aqui ficámos, sonhando o teu sonho, esperando - sem esperança - o teu regresso.
Mas - muito mais do que isso - agradecendo o teu legado.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

A ACTUALIDADE DO SINDICALISMO

Para que servem os sindicatos?


São ainda, agentes de democratização e Justiça?

Como sempre, eles são instrumento de Justiça social.


Não o conseguirão ser, porém, se não forem firmes nos seus princípios e nos seus valores.



A primeira questão é esta: não abdicar de princípios, não trocar valores por euros.

Um sindicato não é um mero negociante no mercado de trabalho – é um agente de defesa da dignidade do trabalhador como pessoa e um instrumento de coesão social e nacional.
Neste papel, o sindicato não pode ser acomodatício, tem de lutar.
Mas a luta laboral há-de ser justa.

Hoje, a mudança societária é de tal ordem que se verifica, frequentemente, que a greve não causa qualquer prejuízo à entidade patronal, mas, sim, aos cidadãos (greves nos transportes públicos, nos sectores públicos da saúde, da educação, das contribuições, etc.).
Isto coloca a questão dos princípios e dos valores.
Os sindicatos de hoje não podem viver dentro de uma campânula.
Pertencem à sociedade democrática.
Tal como os partidos e outras instituições nucleares da democracia, têm de ganhar o respeito dos cidadãos em geral e não apenas os votos dos seus associados.

Cabe-lhes captar militantes, conquistar simpatizantes, alargar a esfera da sua acção muito para além das negociações colectivas salariais.
Juntar-se a organizações de defesa dos direitos humanos, apoiar os emigrantes, cuidar dos jovens que entram no mundo do trabalho, não esquecer os reformados, promover a igualdade de direitos – na defesa do bem comum.

E renovar os seus quadros, formar novos dirigentes, reflectir e debater autonomamente as questões do nosso mundo e do nosso País, sem preconceitos e chavões, num espírito de humanismo e solidariedade

E não podem deixar-se capturar pelo universo partidário.

Esse é o sindicalismo que precisa de ser hoje para permanecer amanhã.
H. Nascimento Rodrigues

Publicado in «Jornal de Notícias» 21 de Novembro 2002
Pode ver o texto completo no site « Forum Abel Varzim Desenvolvimento e Solidariedade»