domingo, 21 de novembro de 2010

Cabo Verde 1963 Parte 1

Na década de 60, o nosso Ouvidor do Kimbo apaixona-se pelas filmagens utilizando películas de 8mm.

Com a câmara regista as mais belas recordações da sua África.

Mandou – os digitalizar para poder utilizar os filmes no blogue, e contar as suas memórias.

Temos pronto um filme por ele realizado no arquipélago de Cabo Verde durante as férias.

Decorria o ano de 1963.


Por razões técnicas será editado em quatro partes.

É mais uma estória uma recordação do Ouvidor do Kimbo

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Exílio

Por exílio se entende
Estar ausente
De alguma coisa
ou talvez de alguém.
Mas estar distante
Do que se sente
É, finalmente,
Exílio também

Obra Poética de Neves e Sousa 1959

NOTAS POLÍTICAS (46)

O investimento exige estabilidade política e equilíbrio social.

Equilíbrio social no sentido de que, importa promover e conseguir um esforço colectivo e mais consensualizado para a consecução dos grandes objectivos do nosso País.
O desenvolvimento económico e a justiça social não se alcançam sem uma partilha equitativa de direitos e responsabilidades entre todos os agentes cuja acção possa contribuir para o processo de transformação social e económica.
A partilha não pode ser feita, porém, autoritariamente, e, não deve ser conquistada fora de um quadro de solidariedade nacional.
É necessário, pois, que as atitudes concretas dos sujeitos institucionais - nomeadamente, o Estado, o empresariado e os sindicatos – se inspirem numa clarificação do papel de protagonistas do progresso económico e social que lhes cabe.
E que essa clarificação tenha em conta a necessidade absoluta de uma concertação de esforços e de medidas sem prejuízo da autonomia de cada parte. Não se antevê via mais democrática, civilizada e apropriada para se responder colectivamente à crise e se gerar um futuro de facto mais livre e mais justo para todos os cidadãos.

Lisboa 14 de Julho 1981

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

NOTAS POLÍTICAS (45)

Somos um muito antigo País da Europa, com uma identidade nacional secular, forjada no encontro com outras civilizações e caldeada pelo diálogo com outras culturas, cujos valores em grande parte os portugueses acolheram e fizeram seus.
Saberei eu, nesta hora, transmitir-vos a mensagem da unidade essencial do Homem, falar-vos a linguagem do entendimento, expressar-vos as minhas preocupações e, ao mesmo tempo, as minhas esperanças quanto a um futuro melhor?

Neste velho continente, despontam manifestações de xenofobismo, reacções de intolerância, impulsos de egoísmos concentracionistas, como a prenunciar mais convulsões.

Não são, estes, sinais iniludíveis de fundos e sérios desequilíbrios em muitas das nossas sociedades? Não sou pessimista, pelo contrário. Ser livre está impresso na alma dos homens.

Genebra 3 de Junho de 1992

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Aviso do PSD

Há várias formas de se deixar perder ou desgastar a democracia.
Nunca fomos, não somos e não seremos, nem coveiros, sequer inconscientes, nem carpideiras de inútil choro tardio.
Quando está em causa a conquista de uma estabilidade democrática, impõe-se, mais do que nunca, não recear as acções de intimidação, e justifica-se, não permitir que o silêncio, ou as meias palavras envergonhadas, sejam interpretadas como cedência ao plano de inversão da democracia porque lutamos.
Nós, PSD, assumimos a nossa responsabilidade.
Assumimo-la com toda a transparência, com toda a isenção, com toda a tranquilidade.
A nossa resposta, a resposta de todos os democratas, não pode e não vai ser nem temerosa nem equívoca.
Os sociais - democratas não têm dúvidas sobre a sua resposta que vai exprimir-se sem medos que não se justificam, sem exaltações que nunca são timbre de democratas firmes e por isso serenos, sem hesitações ingénuas que misturem o essencial com o acessório e que confundam os planos, diferenciados, da defesa do regime democrático e da oposição legítima à actuação governativa.
Portugal será democrático, o caminho da estabilidade, da paz, da recuperação económica e da justiça social não será arredado.

Lisboa Fevereiro de 1982

sábado, 13 de novembro de 2010

QUISSANGE-SAUDADE NEGRA

Não sei, por estas noites tropicais,
o que me encanta…
se é o luar que canta
ou a floresta aos ais…

Não sei, não sei, aqui neste sertão
de música dolorosa
qual é a voz que chora
e chega ao coração…

Qual o som que aflora
dos lábios da noite misteriosa!

Sei apenas, e isso é que importa,
que a tua voz, dolente e quase morta,
já mal a escuto, por andar ausente,
já mal escuto a tua voz dolente…

Dolente, a tua voz “luena”,
lá do distante Moxico,
que disponho e crucifico
nesta amargura morena…

Que é o destino selvagem
duma canção que tange,
por entre a floresta virgem
o meu saudoso “Quissange”.

Quissange, fatalidade
deste meu triste destino…
Quissange, negra saudade
do teu olhar diamantino.

Quissange, lira gentia,
cantando o sol e o luar,
e chorando a nostalgia
do sertão, por sobre o mar.

Indo mares fora, mares bravos,
em noite primaveril
acompanhando os escravos
que morreram no Brasil.

Não sei, não sei,
neste verão infinito,
a razão de tanto grito.

-Se és tu, oh morte, morre!

Mas deixa a vida que tange
exaltando as amarguras
e as mais tristes desventuras,
do meu amado Quissange!

(Poema de Thomaz Vieira da Cruz, in “Quissange Saudade Negra”)

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Permanece em mim

NÃO!!!

Não consigo deixar de gritar.
A dor é tanta que parece que nos sufoca, nos engole.
Já são tantos segundos depois do segundo antes que não sei quantos mais segundos vou aguentar.
“Permanece em mim. Permanece em mim. Permanece em mim.”
A música ecoa pelas paredes frias da Igreja e o meu grito de dor ecoa pelo meu ser sem fim à vista.

NÃO!

Permanece em mim.
Não quero esquecer o teu sorriso, a tua cara, as tuas barbas, o teu olhar infinito.
Toco o teu rosto frio e o meu coração gelado aquece.
Será que valeu a pena pai? Ter permanecido? Ter aguentado tudo?
Ninguém percebeu. Não passar a linha, nem à custa da própria vida.
Pelo país, pela causa pública, pelas suas convicções, pela democracia…
Mas que liberdade é esta onde não existe inteligência.
Mas que liberdade é esta onde não existe sentimento de algo maior.

Não!

Ninguém percebeu que mais uma vez não estava a falar de si. Estava a falar de todos nós.
Por algo mais importante que os partidos.
Por algo mais importante que o pai, que os filhos, que os netos, que a própria vida.
Estava a falar pelo futuro de todos. Pelas regras. Pelas linhas. As que definem o campo de jogo.
Não! Ninguém percebeu.
Mas o pai sabia.
E na sua tranquilidade habitual lutou com os actos e as palavras mesmo que soubesse que ninguém ia perceber.
Mas nós percebemos.
Sofremos ao seu lado sem nada dizer. Eu do outro lado da fronteira mas junto de si pelo ar entre nós.
Mas nós percebemos.
E o pai sabia que era assim. Que nos estava a falar com palavras não ditas. Com actos de um amor maior.
Aqueles que nós percebemos.
Aqueles que por isso permanecem em nossos corações.
E esses estão acima de tudo. Esses permanecem em mim.
Para lá das frias paredes da Igreja.
No calor do meu coração
Permanece em mim.

A 12 de Abril de 2010,
Há 7 meses,
O Nuno escreveu.

Permanece em nós.