sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

HAVEMOS DE VOLTAR

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A CONCERTAÇÂO SOCIAL TRIPARTIDA


O que está em causa na concertação social tripartida é esquematicamente o seguinte:

Em primeiro lugar - o envolvimento de três parceiros: o Estado, as organizações sindicais e as organizações patronais, através das respectivas confederações em particular.

Em segundo lugar - um envolvimento que implica, “grosso modo”, a discussão “a três”, das políticas económico sociais do País – não apenas, portanto, exclusivamente de um só aspecto dessas políticas, embora tal seja possível e se exercite quando se enquadre um tema concreto num contexto de concepção e implementação de políticas mais gerais, elas próprias previamente consensualizadas.

Em terceiro lugar – um envolvimento tripartido, cuja finalidade não se resume a consultar os parceiros sociais – intenciona ir mais além, isto é a lograr um certo consenso, uma certa aquiescência para as medidas nacionais de política económica e social, e, no limite desejável, um acordo claro, que pode ser formalizado pelas três partes intervenientes na concertação ( mas não, necessariamente, de todos os componentes da parte sindical, ou da parte patronal, nos casos de pluralismo de representação)- e, neste caso estamos perante um pacto social ou um acordo social tripartido

Em quarto lugar - trata-se de uma discussão/ negociação, tripartida, com vista à concepção, implementação e acompanhamento de políticas económico-sociais interrelacionadas, que conduzem à estabilização e /ou ao impulsionamento estratégico do desenvolvimento do País.

Nesta definição fica implícita a percepção de uma enorme mudança dos paradigmas do Estado e da Sociedade: o Estado passa a ser um “Estado - parceiro” ou “interlocutor”; os parceiros sociais continuam a ser representantes (e é exigível que sejam legítimos e representativos) de interesses colectivos sectoriais, mas aquele e estes são pressupostos cooperar na busca de soluções de interesse comum e de natureza geral.




Excerto de uma comunicação feita na Cidade da Praia, Cabo Verde, Março de 2000

 Tela de GUI TAVARES pintor guineense.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

PALMAR


Quando eu voltar quero ficar morando

num palmar á beira d’água:


Um palmar sem domingos
com os dias sempre iguais.


Um palmar com toda a singeleza,
Sem inquietação nenhuma,
Um palmar que seja verde ao Sol!


Quero voltar e ficar assim, morando
Numa quietude suave e tropical!
Num palmar sem domingos….



Poesia de Neves e Sousa




domingo, 23 de janeiro de 2011

PORTUGAL É A MINHA PÁTRIA– A MINHA TERRA É ANGOLA ngola

"Volvamos a mente, em visão retrospectiva, para o conturbado cenário político, que avassalava Portugal, na primeira metade do século XVII. Sem chefes autoritários, sem armada nem exército, sem um comércio marítimo, que fora até então fonte inesgotável de riquezas, a Pátria sufoca em estertor agonizante. E, se na metrópole, a situação é realmente angustiosa, no ultramar, em que à força de golpes de heroísmo se arreigara a nossa soberania, não vai decorrendo a vida em estado normal. Lá, como aqui, adversários implacáveis destroem num dia a soberba obra que custara o suor do rosto lusitano. Que sirvam de exemplo as ruínas do Oriente, onde o domínio dos portugueses caía precipitadamente perante os golpes vibrados pelos flibusteiros.
Tombada uma das derradeiras resistências – a cidade de Ormuz – desfaz-se em chamas o poderio de Portugal no Extremo-Oriente!
Na América, a imensa e prometedora costa brasileira é objecto de cobiça permanente por parte dos piratas holandeses, auxiliados nas suas torpes intenções pelo governo neerlandês que a si próprio se aclamara arauto da liberdade de navegação! Infelizmente os portugueses do Brasil possuíam
fracos meios de defesa, pelo que se tornavam, de ano para ano, como fruto tentador, de colheita rendosa. Mas enganam-se redondamente aqueles que os julgam presa fácil! Se na realidade, as condições de defesa são simplesmente deploráveis, e a negligência vexatória do governo de Madrid nos conduz à decadência ruinosa, há que contar sobre tudo, com um forte espírito nacionalista, com uma alma votada aos mais nobres ideais da Pátria, os quais superam, de grosso modo, as deficiências a que as províncias ultramarinas estão votadas. E neste aspecto a heroicidade do povo Português de além-mar toma foros de epopeia, ao combater, quase sem probabilidades de êxito, um inimigo superiormente armado.
A obra gigantesca da Restauração não se deve só aqueles que na Metrópole enfrentaram o jugo alheio;
Aqui em Angola, brilhante jóia que nunca deixou de fulgir na coroa portuguesa, não foi menos grandiosa a obra do ressurgimento do nosso património. Por estas anharas e sertões, cometeram-se feitos tão fulgurantes, que é justo evidenciarmos o esforço ingente desses bravos colonos, que na terra natal deixaram jaleca e noiva, para em paragens inóspitas desbravarem o solo árido, sob a bandeira das cinco quinas. Difícil se torna apontar mais detalhadamente este ou aquele episódio, porque sem excepção, todos souberam honrar o nome de Portugal."

RAINHA JINGA

A Jinga interessante figura de mulher, não desperdiçava nenhuma oportunidade para hostilizar os portugueses.
Souto Maior convenceu-se de que era absolutamente necessário arredar semelhante obstáculo. E foi assim que ele conferiu o comando da expedição encarregada da desafronta ao Capitão Borges Madureira, profundo conhecedor da região de Ambaca, local onde as operações militares iam decorrer. Tudo começou por um insulto feito a um sobado de indígenas amigos, pela “gentalha” da Jinga, temeridade essa que foi devidamente castigada. Perante este facto, a rainha negra, que mantinha relações de amizade com os holandeses, resolveu aproveitar-se da circunstância para derrotar os seus eternos inimigos. A coluna expedicionária portuguesa tinha ordens terminantes do nosso governador para talar as terras da Jinga, sem preocupações de a fazer prisioneira bastando executá-la” in loco”. Compunha-se as forças portuguesas de 330 homens de raça branca, coadjuvados por 20.000 indígenas, pertencentes ao rei do Dongo, e por algumas centenas de jagas, tribo aliada.A Jinga estava acampada para lá do rio dande, ali tendo construído três pontes para defesa e ataque. O Capitão em chefe das forças militares portuguesas temendo traiçoeira cilada por parte dos insurrectos, continuou a marcha para baixo, até encontrar vau, passando-se então para a margem oposta, onde assentou arraiais. Caia já a noite, e a coluna preparava-se para o descanso merecedor, quando se verificou terrível incêndio provocado pelos batedores da ginga. Por volta da meia noite, um estranho ruído se ouviu na floresta silenciosa, enquanto o gongo soava entre a expectativa geral. Voz rouquenha dava, em nome da rainha dos negros, as “boas vindas”aos portugueses, há muito que ela os esperava; e já tinha posto inclusivamente, as panelas ao fogo, para nelas queimar os corpos dos seus inimigos. Aviso certamente maldoso e terrífico, que não atemorizou, no entanto, a hoste lusitana. E logo que a manhã raiou, a Ginga, muito embora auxiliada por milhares e milhares de apaniguados, sofreu tremenda e retumbante derrota, que por muito tempo fez declinar a sua boa estrela. As armas portuguesas mais uma vez tinham mostrado o seu portentoso valor.








PS Dona Ana de Sousa, (nome cristão da Rainha Jinga), faleceu de forma pacífica aos 80 anos de idade, como uma figura admirada e respeitada por Portugal. Fonte- Wikipédia

BATALHA DE MASSANGANO

Perante a ocupação de Luanda pelas forças da Companhia das Índias Ocidentais, em Agosto de 1641, foi em Massangano que as forças portuguesas se recolheram e onde resistiram até à reconquista por Salvador Correia de Sá e Benevides, em Agosto de 1648. Vamos ler o que o Ouvidor do Kimbo escreveu sobre este acontecimento histórico.

"Massangano, outro foco sempre latente de nacionalismo, pode-se considerar como testemunho eterno da Raça Lusa. Nas pedras da secular fortaleza, cometeram-se feitos tão grandiosos, que a História os perpetuará eternamente em letras doiradas. Adentro das muralhas de Massangano, muitas vezes reinou a fome, o desalento e até a peste mortífera; mas nem por isso os nossos desanimaram, nem franquearam o umbral da entrada em vergonhosa rendição como tantas e tantas vezes se tem constatado. Os assaltantes - e muitos foram - depararam sempre com uma tenaz e imprevista resistência por parte dos sitiados na aringa, que jamais soube o que era o travo amargo da derrota. “FOGO DE MONTURO” lhe chamavam desdenhosamente os holandeses, assim apelidando a resistência portuguesa. Mas o que é certo é que esse “Fogo de Monturo”nunca deixou de queimar em labareda vivaz, e arde hoje dentro de nós em admiração profunda por essa nobre pedra tumular dos portugueses de Angola, soldados desconhecidos mas eternos, que não permitiram que, nesta florescente terra – a mais portuguesa de todas as províncias portuguesas - tremulasse outro pendão, que não fosse a Eterna e Gloriosa Bandeira Verde Rubra " Três excertos do discurso, proferido na “Ceia dos Estudantes”, comemorativo do 1º de Dezembro aos 30.11.1956 ( Lubango- antiga Sá da Bandeira- Angola )



MASSANGANO


Quando a noite cai em Massangano


os mortos erguem vozes dos covais


gritando dores de morto desengano...


Dentre as ruinas esguias, as visões


alongam braços de treva descarnada,


e sons de orgão na igreja abandonada


rangem ouro e sangue aos borbotões!


Ramos de cruzes, grilhões de prisioneiros


canhões de aventura e sonhos legendários


ressurgem estes mundos visionários


da memória dos antigos prisioneiros.


E o vento sul melancólico e vibrante


leva envolto em si a nostalgia


do burgo antigo presente mas distante




Poesia de Albano Neves e Sousa

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A DOIS RITMOS

O de dentro e o de fora.
O presente e o de outrora.
O passado e o agora.

Saudade e alegria. Felicidade.

Ter sido filha, de si.
Ter sido Amada, por si.
Te-lo chamado Pai.

Não há ai que valha.

Vale muito mais o amor
Do que a muralha que agora nos separa.

A 2 ritmos.



No de dentro, lento,
Estou eu pequena, miúda,
E ainda ouço a sua voz chegando a casa...

No de fora, o de agora,
Nem sempre sei onde estou
Ou porque vou
E procuro em salvação a sua asa...

Saudade do ritmo de dentro de mim.
Saudade de si.
E alegria.

Quem diria poder senti-la depois de partir?
Mas sinto.
Quando paro e reparo
O quanto de mim é seu.

Obrigada Pai





Sofia Nascimento Rodrigues