
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
MUDAR SEM TRAUMAS
A reestruturação de vários sectores do tecido económico nacional é um imperativo inadiável. E, de entre eles, a do sector dos portos, pelo seu papel de “pulmão”circulatório e pelo seu carácter geo - estratégico.
Já ninguém, hoje, tem dúvidas que o grande desafio a vencer é o de colocar o nosso país nas melhores condições de competitividade com outros países.
Temos, para isso, (nas actuações e espaços de agilidade, na obtenção de resultados e de ocupar zonas de inovação), que alterar processos de organização empresarial e de gestão de recursos humanos, de rentabilizar investimentos produtivos, de acabar com procedimentos burocráticos e anquilosantes, de apostar na qualificação dos homens, de ganhar a batalha da qualidade nos produtos e serviços que prestamos.
Não saber mudar, seria morrer. Mas é preciso saber mudar sem traumas.
Lisboa, 12 de Julho 1993
Excerto do discurso efectuado por ocasião da assinatura do “Pacto de Concertação Social no Sector Portuário"quarta-feira, 24 de agosto de 2011
AMIGOS DE SEMPRE

MATALA: COLONATO E BARRAGEM
Aqui me tens já de regresso da Matala e felizmente bem. Achei que seria interessante conhecer o colonato e a barragem.
O pior é que me sinto ainda cansadíssimo da viagem, pois não é impunemente que se fazem 600 kms em tão curto espaço de tempo. Para mais, parece-me que já não estou acostumado a viajar por estas “estradas” e não calculas como sinto o corpo: é como se me tivessem batido. Tivemos umas pequenas “panes” ao longo do percurso, o que tornou a viagem ainda mais fatigante. A Matala não me impressionou grandemente. No campo do trabalho agrícola, gostei mais do que da Cela, mas em construções e beleza não há duvida que a Cela é superior.
O que me impressiona é gastar-se tanto dinheiro com estas obras de povoamento e termos tão poucos colonos.
Sá da Bandeira 11 de Agosto de 1961
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
AFRICANO NEGRO / AFRICANO BRANCO
O MEU ENSAIO - AFRICANOS BRANCOS
Comecei a trabalhar num ensaio. A minha tese é provar com argumentos sérios e não apenas sentimentais, que os negros não são autóctones de África, mas, sim, invasores, tal como os brancos, portanto. Nesta medida, não é legítimo que a África seja só para os negros.
Quanto mais estudo a matéria, mais dúvidas encontro e, então acerca do problema histórico da origem dos povos bantos estou quase a zero, pois pouco ou nada percebo de paleontologia, zoologia e outros “ia” que são indispensáveis para a compreensão global do problema. Toda a informação sobre a origem dos negros é esparsa, pouco fundamentada e já começo a encontrar teorias contraditórias. O pior ainda é a pouca atenção que se tem dedicado a este assunto, pois os autores, na sua maioria, passam por alto sobre ele, limitando-se a fazer vagas referências. Ora como eu não sou historiador, mais dificuldades encontro para apurar a verdade. Sempre me meto em cada uma! O que me parece é que não está certo fazer um ensaio torcido; ou encontro a verdade, ou, só sentimentalmente, não vejo que seja um ensaio, por essência racional, a forma adequada de defender a nova tese. Um dos livros que tenho é editado pela “Presence Africaine”, nitidamente nacionalista e racista; como não podia deixar de ser, diz que os Bantos são autóctones, classificando de colonialistas todas as teses que pretendem atribuir-lhes um berço estranho à África. É um livro parcial, mas a verdade é também que os autores ocidentais não focam de forma categórica a origem extra - africana dos negros, antes se embrulham em hipóteses que não podem ter um valor científico. Enfim, parece-me que, a querer fazer trabalho honesto e fundamentado, tenho ainda muito que procurar, e concretizar.
Tenho estado a ler outro livro, sobre matéria de atribuição de nacionalidade, o que é importante para o meu ensaio e para matérias que irei dar no 5ºano, na cadeira de Internacional Privado.
Estou muito desolado com o que li até ao momento, pois a conclusão a que se chega presentemente nesta matéria é de que os Estados não estão vinculados por quase nenhumas regras de direito internacional, sendo, portanto, a atribuição de nacionalidade praticamente da competência interna dos Estados.
Tenho que fazer também uma consulta às Constituições Políticas dos novos Estados Africanos para observar o critério seguido na atribuição da nacionalidade.
A novidade que tenho para te dar é que o Padre Miranda Santos me propôs que fizesse o ensaio que tenho em mente, que ele, por sua vez, tudo tentaria para que ele fosse publicado em livro, ou por alguma editora ou pela própria revista. É evidente que a proposta me é sugestiva, pois, como ser humanamente vaidoso, ser-me-ia muito agradável ver um livrinho da minha autoria… Mas, por outro lado, o prazo que me dão vai só até fins de Janeiro, o que me parece muito pouco para tal trabalho; as fontes de informação que tenho são restritas, nunca fiz algum ensaio deste fôlego, e acima de tudo, tenho o estudo. Não sei, francamente, quais sejam as minhas possibilidades de levar a bom termo esta tentativa. Mas vou tentar fazer alguma coisa. Enfim fiz uma vaga promessa de que em Setembro de 62 talvez tivesse o ensaio pronto. Sairia com toda a certeza um ensaio original se a História e o Direito confirmarem as minhas ideias. Mas, se não confirmarem, lá se vai tudo por água abaixo e é preciso começar por outro lado.
Assim sendo, ainda não descobri bem o caminho pelo qual, juridicamente, possa atacar os nacionalismos negros por não considerarem como cidadãos dos novos Estados os africanos brancos.
Setembro 1961