segunda-feira, 5 de setembro de 2011
DEUS QUER
O HOMEM SONHA,

I.
O INFANTE
Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.
Deus quiz que a terra fosse toda uma,
Que o mar unisse, já não separasse.
Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,
E a orla branca foi de ilha em continente,
Clareou, correndo, até ao fim do mundo,
E viu-se a terra inteira, de repente,
Surgir, redonda, do azul profundo.
Quem te sagrou creou-te portuguez.
Do mar e nós em ti nos deu signal.
Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.
Senhor, falta cumprir-se Portugal!
Fernando Pessoa, Mensagem – Segunda Parte, Mar Português (Original)
A OBRA NASCE
sábado, 3 de setembro de 2011
ESTE CORPO
Esta pele velha,
encarquilhada
rugosa e dura.
Já sem vida, é a mesma pele
que te amou
em todos os momentos
de ternura.
Estes olhos gelados,
frios,
baços, já sem vida,
são os mesmos olhos
que te amaram
em todos os momentos
de loucura.
As mãos:
anquilosadas,
velhas,
nodosas,
trémulas.
Já sem vida;
são as mesmas mãos
que as tuas
enlaçaram
em todos os momentos
de ternura.
Este corpo velho,
anquilosado,
nodoso,
e duro.
Está vivo;
Mas não encontra o teu.
PAPEL DA EMPRESA
Tenho a convicção e, por isso, a esperança, de que a empresa possa ser, cada vez mais, um factor acelerador do processo de valorização dos recursos humanos, seja no seu interior, seja pela exigência que deve transportar para os estabelecimentos de ensino e de formação e para a sociedade em geral.
A empresa é a mais interessada neste processo e dispõe de instrumentos próprios de grande impacto, desde logo, desenvolvendo uma cultura adequada, estabelecendo uma organização que favoreça o rigor, a inovação, a responsabilidade, adoptando novas tecnologias, praticando processos de trabalho participativos, avaliando e formando.
A empresa pode e deve superar grande parte da insuficiente valorização dos nossos recursos humanos. Prova disso é a adaptação e qualificação que os nossos trabalhadores revelam quando, no estrangeiro, mas, também em Portugal, se encontram integrados em organizações com aquelas características e que sabem colmatar as suas próprias vulnerabilidades.
Como multiplicar estes exemplos ao nível das nossas empresas e das nossas instituições em geral?
É este o maior desafio que temos pela frente. Parafraseando Einstein, diria que hoje a imaginação é tão importante como o conhecimento. E recordando Roosevelt, acrescentaria que o único temor deve ser o nosso próprio medo.
Lisboa, 15 de Março 1995 ( O “estado da arte” de gerir pessoas em Portugal)
quinta-feira, 1 de setembro de 2011
ECONOMIA E FISCAL
Estou aborrecido comigo por não ter estudado mais durante as férias. Poderia ter tido mais brio para agora poder tirar uma nota que se visse. Mas a verdade é que não trabalhei para isso.
O que é certo é que a Economia me tem dado mais trabalho do que eu inicialmente pensava. Não sei porquê mas não me “entra”. Põe-me a cabeça em águas de bacalhau e sinto-me mal preparado.
Não tenho jeito nenhum para aquilo. Tenho bastante receio porque nunca senti inclinação para estas questões económico financeiras – daí a maior dificuldade de apreensão quando deparo com cadeiras deste género. Desde ontem que estou a estudar o dia inteiro e hoje, inclusivamente não quis ir ao cinema
Daqui até ao dia da partida vou estudar em cheio e espero ter tempo para tudo.
Mas, ao menos, em Fiscal, se o Martinez me deixar, posso tirar um 12. Ainda tenho à frente duas semanas e neste tempo pode-se aprender muita coisa.
A verdade é que estou cheio de autoconfiança e, propriamente, não ponho a hipótese de chumbo. Não sei, mas acho que, às vezes, estou a voltar ao tempo antigo, com uma auto-confiança excessiva, uma vez que não tenho muitas razões para a possuir. Isto também é um mal, tão grande como o de enchermo-nos de nervos antecipadamente e desanimadoramente., Agora tenho a mania de que, sabendo um poucochinho, já ninguém me reprova! - e praza a Deus que isso sempre aconteça. Mas enfim, embora as razões não sobejem para isso, sinto-me confiante quanto a Outubro.
O que eu quero é passar, e para o ano farei os possíveis para tirar o 14.
