segunda-feira, 5 de setembro de 2011

DEUS QUER

Nesse mesmo ano, 2005, em Florianópolis, o mesmo tema: olhar mais longe, para todo o grande espaço lusófono, com um grande apelo: sensibilizar o Brasil para a vantagem de criação da figura do Ombudsman parlamentar.
"Estamos a olhar para mais longe, para todo o grande espaço de uma fala comum, que, hoje é ocupada por oito países, dispersos da América do Sul, à Europa, à África e á Oceania, cada um com os seus naturais e legítimos interesses estratégicos todos diferentes – e, todavia, todos irmanados na mesma língua em que nos compreendemos com facilidade quando estamos em casa do irmão, com a sua específica e incontornável identidade nacional.
Se os Ombudsmen dos países da América do Sul já criaram a sua Federação; se os Ombudsmen francófonos estão, eles também, agrupados na sua “Association des Ombudsmans et Médiateurs de la Francophonie”; se os 25 países da União Europeia têm os seus Ombudsmen, que se reúnem periodicamente e têm “redes” estreitas de relacionamento; se Timor Leste, Angola, Moçambique e Cabo Verde já têm Provedores de Justiça ou, pelo menos, já os instituíram constitucionalmente – o que falta para que o grande e tão variado mundo da língua em que todos nos entendemos avance para uma qualquer fórmula de associativismo das suas instituições análogas?
Falta-nos o Brasil, claro. Podemos criar as raízes dessa associação – mas sem as adequadas instituições brasileiras, ela seria como um embondeiro de tronco retorcido, um jacarandá ou uma buganvília sem cores, uma cerejeira sem fruto, ou um coqueiro com cocos sem sumo.
Não seriamos nós todos, portanto. E ou somos todos nós, ou não saberemos responder ao desafio histórico do século da mundialização, da riqueza intercultural de que também se faz o humanismo e dos direitos humanos, que são universais."
Florianópolis 28 de Setembro de 2005

O HOMEM SONHA,

I.

O INFANTE

Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.

Deus quiz que a terra fosse toda uma,

Que o mar unisse, já não separasse.

Sagrou-te, e foste desvendando a espuma,

E a orla branca foi de ilha em continente,

Clareou, correndo, até ao fim do mundo,

E viu-se a terra inteira, de repente,

Surgir, redonda, do azul profundo.

Quem te sagrou creou-te portuguez.

Do mar e nós em ti nos deu signal.

Cumpriu-se o Mar, e o Imperio se desfez.

Senhor, falta cumprir-se Portugal!


Fernando Pessoa, Mensagem – Segunda Parte, Mar Português (Original)

A OBRA NASCE

Enquanto Provedor de Justiça de Portugal, o Henrique, tinha um sonho que não lhe coube  concretizar: criar uma federação de Provedores de Justiça/ Ombudsman que congregasse todos os países que falam Português. Em 2005, 30 e 31 de Maio realiza-se em Lisboa o II Colóquio Luso - Brasileiro de Ouvidores Públicos/Provedor de Justiça. São estas algumas das palavras pronunciou nessa ocasião
"Qual a intenção destes colóquios? Em primeiro lugar, naturalmente, aprofundar os laços de conhecimentos entre as instituições brasileiras de Ouvidoria Pública e a instituição portuguesa do Provedor de Justiça.
São diferentes, claro. Mas isso não obsta a que procuremos apreender as nossas experiências e, através desse contacto, evidenciar o laço apertado que une brasileiros e portugueses por sobre o oceano que nos separa e, independentemente da inserção político - geográfica de cada um dos nossos países, reafirmar a fraternidade intemporal que espero seja sempre preservada entre ambos os Povos.
Disse-vos que visiono mais longe, para o espaço da Lusofonia. Timor-Leste foi o primeiro país da lusofonia, depois de Portugal, a instituir o seu Provedor de Justiça e dos Direitos Humanos, ainda recentemente. E Angola foi o primeiro país africano de língua portuguesa a criar o seu Provedor de Justiça.
Eu espero que o seu exemplo frutifique nos outros países africanos de língua portuguesa – e aí, ele tem um papel fundamental como paradigma de uma instituição da democracia em África de língua portuguesa - e auguro que, um dia, todos juntos, angolanos, brasileiros, cabo-verdianos, guineenses, portugueses, são-tomenses e timorenses possamos criar uma associação que congregue as nossas instituições de Ombudsman.
Um grande poeta português escreveu isto: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce”. Nós temos, pois, a obrigação de sonhar para que a obra nasça.
Depois de nós outros virão. Mas que nunca digam que nada fizemos. Nós já fizemos".
Maio de 2005

sábado, 3 de setembro de 2011

APANHADOS

Pelo " Tal e Qual" no dia 6 de Novembro de 1992

ESTE CORPO

Esta pele velha,

encarquilhada

rugosa e dura.

Já sem vida, é a mesma pele

que te amou

em todos os momentos

de ternura.

Estes olhos gelados,

frios,

baços, já sem vida,

são os mesmos olhos

que te amaram

em todos os momentos

de loucura.

As mãos:

anquilosadas,

velhas,

nodosas,

trémulas.

Já sem vida;

são as mesmas mãos

que as tuas

enlaçaram

em todos os momentos

de ternura.

Este corpo velho,

anquilosado,

nodoso,

e duro.

Está vivo;

Mas não encontra o teu.

PAPEL DA EMPRESA

Tenho a convicção e, por isso, a esperança, de que a empresa possa ser, cada vez mais, um factor acelerador do processo de valorização dos recursos humanos, seja no seu interior, seja pela exigência que deve transportar para os estabelecimentos de ensino e de formação e para a sociedade em geral.

A empresa é a mais interessada neste processo e dispõe de instrumentos próprios de grande impacto, desde logo, desenvolvendo uma cultura adequada, estabelecendo uma organização que favoreça o rigor, a inovação, a responsabilidade, adoptando novas tecnologias, praticando processos de trabalho participativos, avaliando e formando.

A empresa pode e deve superar grande parte da insuficiente valorização dos nossos recursos humanos. Prova disso é a adaptação e qualificação que os nossos trabalhadores revelam quando, no estrangeiro, mas, também em Portugal, se encontram integrados em organizações com aquelas características e que sabem colmatar as suas próprias vulnerabilidades.

Como multiplicar estes exemplos ao nível das nossas empresas e das nossas instituições em geral?

É este o maior desafio que temos pela frente. Parafraseando Einstein, diria que hoje a imaginação é tão importante como o conhecimento. E recordando Roosevelt, acrescentaria que o único temor deve ser o nosso próprio medo.

Lisboa, 15 de Março 1995 ( O “estado da arte” de gerir pessoas em Portugal)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ECONOMIA E FISCAL


Estou aborrecido comigo por não ter estudado mais durante as férias. Poderia ter tido mais brio para agora poder tirar uma nota que se visse. Mas a verdade é que não trabalhei para isso.

O que é certo é que a Economia me tem dado mais trabalho do que eu inicialmente pensava. Não sei porquê mas não me “entra”. Põe-me a cabeça em águas de bacalhau e sinto-me mal preparado.

Não tenho jeito nenhum para aquilo. Tenho bastante receio porque nunca senti inclinação para estas questões económico financeiras daí a maior dificuldade de apreensão quando deparo com cadeiras deste género. Desde ontem que estou a estudar o dia inteiro e hoje, inclusivamente não quis ir ao cinema

Daqui até ao dia da partida vou estudar em cheio e espero ter tempo para tudo.

Mas, ao menos, em Fiscal, se o Martinez me deixar, posso tirar um 12. Ainda tenho à frente duas semanas e neste tempo pode-se aprender muita coisa.

A verdade é que estou cheio de autoconfiança e, propriamente, não ponho a hipótese de chumbo. Não sei, mas acho que, às vezes, estou a voltar ao tempo antigo, com uma auto-confiança excessiva, uma vez que não tenho muitas razões para a possuir. Isto também é um mal, tão grande como o de enchermo-nos de nervos antecipadamente e desanimadoramente., Agora tenho a mania de que, sabendo um poucochinho, já ninguém me reprova! - e praza a Deus que isso sempre aconteça. Mas enfim, embora as razões não sobejem para isso, sinto-me confiante quanto a Outubro.

O que eu quero é passar, e para o ano farei os possíveis para tirar o 14.

Sá da Bandeira 16 de Setembro de 1961