sábado, 31 de dezembro de 2011

ANO MAU OU ANO BOM?


O Henrique escreveu este pequeno texto no último dia do, segundo ele, pior ano da sua vida, 1958. A pergunta que faz a si próprio, fazemo-la todos nós no balanço do ano que agora termina. Por isso é intemporal e, aplica-se, também, a este final de 2011.

 “Faltam apenas 3 horas para morrer este celebérrimo ano. Mas na vida existirá porventura algum ano que não seja “celebérrimo”?... (2011) “não fugirá à regra, também é um ano celebérrimo.  Mas foi mais do que os outros anos e só uma dúvida cruel me assalta o espírito neste momento e me faz ter medo de responder:  foi bom ou foi mau? Todo o conceito de bom e mau é relativo;  relativo, porque, partindo de uma base como aquela em que eu vivo, poderemos achegar-nos à sacramental pergunta: - que mais deseja senão pão para a boca e um lar quente?. - Vendo as coisas sob esse aspecto, é lógico que eu não posso definir este ano como melhor ou pior do que os outros. Foi um ano igual, foi um ano bom, enfim! Mas houve outras coisas que, não chocando com este conceito de bom, influíram nestes já quase passados 365 dias.  Analisando-os a dúvida subsiste: foi bom ou mau?"

Lisboa 31 de Dezembro 1958

VOTOS DE PAZ


31 de Dezembro de 1981: Em título na comunicação social:

Para o Ano Novo, Nascimento Rodrigues, Vice-presidente do PSDdesejaria a consolidação constitucional da democracia plena no nosso País, única forma de fortalecimento do regime, de edificação do Estado democrático e de plena dignificação de Portugal, e que soubéssemos, em conjunto e em solidariedade, ajudar a encontrar e construir as vias de recuperação económica e financeira do País, por forma a haver justiça social mais alargada estável e equitativa para todos os Portugueses”.
Para 1982, Nascimento Rodrigues não deixa de desejar que todos os portuguesesquer os residentes no território nacional quer os residentes no estrangeiro, comungassem mais intimamente nas ideias de engrandecimento do País. Desejava também que a segunda geração de portugueses, residentes no estrangeiro” conhecesse, sentisse e amasse Portugal”.
A nível internacional, Nascimento Rodrigues gostaria que no próximo ano, “se estabelecesse uma paz sólida em todo o Mundo e que desaparecessem as situações ditatoriais existentes em vários países.
Finalmente, o dirigente do PSD fez um voto pessoal: “ cumprir com coerência e fidelidade o mandato que me deram até ao próximo Congresso, data a partir da qual desejaria retomar a minha actividade profissional, inteiramente”.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

GREVE DOS MAQUINISTAS DA CP - EM1981 FOI ASSIM


Portaria nº 478-A/81
de 9 de Junho

Dando execução à resolução do Conselho de Ministros que reconheceu a necessidade de se proceder à requisição civil do pessoal da CP – Caminhos de Ferro Portugueses E.P., e de harmonia com o disposto no artigo 4º, nº2, do Decreto – Lei nº 637/74, de 20 de Novembro:
Manda o Governo da República, pelos Ministros dos Transportes e Comunicação e do Trabalho, o seguinte:
1º São requisitados, nos termos e ao abrigo dos n.os 1, 2, alínea g), e 4 do artigo 8º da lei 65 /77 e do artigo 3º, nº1 alínea c), do Decreto –Lei nº 637/74, os trabalhadores da CP- Caminhos de Ferro E.P., que se encontram em greve na decorrência da situação de greve decretada pelo Sindicato Nacional dos Maquinistas dos Caminhos de Ferro Portugueses.
2º É dever dos requisitados desempenharem as funções que lhes estão habitualmente cometidas no âmbito da estrutura, quadros e estatutos de trabalho da empresa.
……………………
Contem mais cinco alíneas, é assinado com a data de 9 de Junho pelos Ministros do Trabalho e dos Transportes.


 Declaração do Ministro do Trabalho, Dr. Nascimento Rodrigues, após a decisão do Conselho de Ministros acerca da requisição civil dos maquinistas da CP deliberada pelo Conselho de Ministros:

“ O Governo cumpriu o seu dever legal e democrático ao proceder à requisição dos maquinistas em greve. Os resultados positivos da requisição só prestigiam a nossa ordem democrática e são prova de que a autoridade, quando exercida com razão e no estrito respeito da lei, reforça as condições de exercício dos direitos fundamentais de todos os cidadãos.
Desejaria sublinhar o imenso respeito que me merece a atitude de civismo e de dignidade das populações até hoje afectadas pela greve e a minha esperança em que o exercício do direito à greve, em qualquer sector ou empresa, se exerça sempre com atenção e respeito para com os interesses e direitos de todas as camadas de cidadãos portugueses.”

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

POEMA DO SEMBA




huhummm o semba,
semba é canto de avenida,
é chuva de primavera,
semba é morte
semba é vida,
huhummm o semba
semba é o meu choro dolente,
olhar nossa vida de frente
semba é suor
semba é gente,
o canto,
do semba o canto
do semba ele é nobre,
o canto do semba ele é rico,
o canto do semba ele é pobre,
o canto do semba ele é rico,
o canto do semba ele é pobre,
o semba do morro
o semba do morro é fogueira,
o semba que trás liberdade,
o semba da nossa bandeira,
o semba que trás liberdade,
o semba da nossa bandeira.
huhummm o semba,
semba é canuco de rua,
na escola da vida ele cresce,
de tanto apanhar se habitua,
na escola da vida ele cresce,
de tanto apanhar se habitua,
a voz do meu semba
a voz do meu semba urbano
é a voz que me faz suportar
orgulho em ser angolano,
é a voz que me faz suportar
orgulho em ser angolano,
angolazé,
o sembaaaaaa semba é a nossa alegria paulo,
 semba é a nossa bandeira
é esperança é amor,
hummm o sembaaaa
semba tua maneira moh kota,
semba é a nossa bandeira
nossa forma de cantarrrrr.
o sembaaaa
semba tua maneira
moh semba é a nossa bandeira,
nossa forma de cantar.
o sembaaaa
semba é a nossa alegria paulo,
semba é a nossa bandeira
é esperança é amor.

OUVIR PARA APRENDER


"É uma virtude, até certo ponto, o saber retirar a tempo. Ora, quando se vê que não temos razão, outro caminho não nos deve restar senão calarmo-nos e ouvir – para aprender.
O Lisboeta não o sabe fazer. É um tipo que discute a torto e a direito e, sobre tudo, que não abdica dos seus pontos de vista, quando estes são claramente rebatíveis, quando se está a ver de maneira inequívoca, que estão errados. Já tive oportunidade de o verificar em conversas com colegas meus. É espantoso mesmo!, a teimosia crassa que eles tomam para defender os seus pontos de vista. Admiro, sem dúvida, todos aqueles que, cientes da sua cultura e do seu modo de pensar, os defendem com unhas e dentes; mas admiro, também, aqueles que reconhecem o seu ponto de vista errado. Ora o que tenho visto chega-me para concluir, talvez à priori, porque meia dúzia de casos não são suficientes para os tornar com regra geral: o Lisboeta não tem uma cultura sólida. Tem, sim, uma cultura um pouco vasta mas pessimamente aprendida, erradamente estudada e, então estupidamente defendida.
São muitos os problemas metropolitanos. Para já e antes de tudo, dois, eu acho fundamentais: o problema económico e o problema educacional. Digo educacional, de preferência a cultural, porque, antes do resto, é mister aperfeiçoar o espírito para que ele possa receber os respectivos ensinamentos. Sem ser educado o povo não pode ser cultivado. Primeiro cultiva-se a alma e só depois o cérebro."

Lisboa 1958

SOCIAL DEMOCRATA AOS 18 ANOS


"O ensino, de qualquer grau que seja, não é uma medida de altruísmo de nenhum Estado – é, antes, uma obrigação, um dever moral e político a que nenhum Estado se pode furtar. E bem sabemos que há estados em que o ensino, além de obrigatório, é totalmente gratuito. Não pode existir uma Nação sem um povo civilizado e culto; a civilização técnico – cultural só se pode adquirir pelo estudo; e o estudo, na sua regra, só pode ser devidamente ministrado por mestres competentes. A par de outras manifestações que estão na essência do próprio Estado, o ensino é um dever que lhe compete, obrigatoriamente, que para bem dele próprio será; donde deduzimos que nenhuma mercê nos fazem ao proporcionar-nos estabelecimentos de ensino, que nos preparam para a vida… quando sabem preparar-nos!"

Lisboa 1958

domingo, 25 de dezembro de 2011

DIA DE NATAL


"Foi esta a primeira vez que passei o Natal sozinho. Ontem à noite custou-me um pouco, mas hoje, 25, passei o dia bastante distraído. No meio de tudo, não é talvez, a falta determinada disto ou daquilo que eu mais profundamente sinto; é, antes, a certeza, que se avoluma, de estarem ficando para trás, eternamente, os meus tempos de criança, os meus encantos  pelo Natal, as minhas reacções e tudo isso que faz a maravilha da petizada nesta época. Tenho um medo tamanho de deixar de ser sensível a mil pequenos nadas, de passar a ser inteiramente Homem, de deixar de sonhar e de sentir o que só um coração jovem pode sentir e sonhar. Porque isso é maravilhoso! É maravilhoso sentirmo-nos crianças e vermo-nos acarinhados, abrir os olhos deslumbrados e sonhar com uma infinidade de centelhas mágicas. Esta vida que se leva na Metrópole em nada é propícia a sonhos! E ai do dia, eu sei-o perfeitamente, em que eu deixe de ser assim um quase nada criança, porque então não terei sonhos por que lutar denodadamente e com fé para os alcançar. Tu, Senhor, faz com que, para todo o sempre, possa arquitectar acriançadamente, os meus próprios ideais, para poder ser alguém na vida. Não creio que o possa ser sem ter sonhos e ideais. Por isso te peço Senhor, mais este favor: deixa-me continuar a ser criança."

Lisboa 25 de Dezembro de 1958