sábado, 14 de janeiro de 2012

FRASES ... VIVIDAS


"Subitamente os socialistas arrependeram-se de tudo quanto fizeram no passado próximo que, com a sua governação tornaram tão triste."

"Não concebo e não aceito, a pertença e a militância partidária, em termos de agressão a adversários".

"É extraordinariamente salutar, num País como o nosso, sentir que há muita gente que não se deixa contaminar por esse vírus que é o sectarismo partidário."

"É muito fácil protestar por palavras ou protestar por papel mas é muito diferente estar ao lado dos trabalhadores junto das empresas."

 "A independência é condição de subsistência da unidade sindical democrática. E esta é condição da existência de um sindicalismo livre e democrático, suporte e garante da democracia e agente das transformações sociais que o País tanto precisa."

 Lisboa 1980

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

DIÁLOGO GOVERNO-SINDICATOS


"É imprescindível o diálogo Governo - sindicatos. Do diálogo poderão resultar zonas de compreensão recíproca e a resolução concertada de problemas que respeitem aos trabalhadores. Tal como pode acontecer, muito legitimamente também, que se mantenham pontos de vista diferentes. Tudo isto são fenómenos próprios de sociedades livres.
É bem verdade, no entanto, que a situação do nosso País exigiria uma certa trégua social, voluntária e responsavelmente assumida. Para tanto, será legitimo que o movimento sindical exija da política governamental o máximo que esta possa dispensar em favor dos mais desprotegidos, no âmbito das disponibilidades nacionais existentes que são limitadas. E em contrapartida será também legítimo que o Governo espere do movimento sindical a demonstração prática, e não meramente afirmativa, do princípio de solidariedade nacional. Este é que parece ser o caminho da redução das margens de conflitualidade social numa óptica de consenso democrático e patriótico.
Não confundo este quadro com o dos confrontos forjados ou das situações aproveitadas pela facção leninista do movimento sindical português, em prol de objectivos que nada têm a ver com a democracia pluralista e com as transformações sociais viabilizadoras  de um projecto de mais justiça para todos os portugueses. A resposta para essas situações, que não sejam as do legítimo confronto e divergência democrática, tem que ser firme. Firme, neste duplo sentido: usar a autoridade democrática ao mesmo tempo que se faz prova de que se aplica uma política de claro sentido social."  
Lisboa, Fevereiro de 1980   

PRESIDENTE DA COMISSÂO PARLAMENTAR DO TRABALHO


Como vimos o Henrique foi eleito como deputado do PSD na sessão legislativa de 79-80, e presidente da Comissão Parlamentar do Trabalho. Ainda na entrevista dada a 28 de Fevereiro ao Jornal “O Tempo”, às perguntas do Jornalista:  

1-Disse-se que a sua inclusão nas listas se ficou a dever a uma reivindicação dos sindicalistas sociais-democratas. Significa isto que haverá uma “ala sindicalista” nas bancadas do PSD e que estaremos, então, perante um exemplo embrionário da prática seguida em partidos social-democratas e socialistas da Europa Ocidental?

2- E que interpretação dá ao facto de ter sido eleito presidente da Comissão de Trabalho da Assembleia da Republica?

Resposta do Henrique à primeira questão
N.R.
"Essa inclusão deveu-se à escolha do meu nome pelos órgãos competentes do PSD, tal como aconteceu com os demais candidatos. É possível que se tenha querido dar um espaço, nas listas do PSD, a pessoas directa ou indirectamente ligadas à actividade sindical e ao mundo do trabalho. Mas não vejo isso, senão como um facto necessariamente coerente com o perfil de um partido social-democrata.
O que não é correcto, é configurá-lo como resultado de qualquer imposição dos sindicalistas da TESIRESD. Estes integram-se na bancada, em inteira solidariedade com os seus companheiros. Não há deputados disto e daquilo, há apenas deputados do PSD. Que os sindicalistas, dentro desse todo, manifestem maior vocação e sensibilidade para as questões laborais ou que se revelem, pela sua própria experiência mais apetrechados para a defesa dos interesses dos trabalhadores, eis o que me parece perfeitamente natural.
Estou ao lado dos meus companheiros que exercem funções sindicais, mas não sou sindicalista, embora compreenda e sinta muito bem os seus problemas, na medida em que a minha actividade profissional, de consultor jurídico laboral, me proporciona essa vivência".

Resposta à segunda questão:
N.R.
"Essa eleição não tem qualquer significado pessoal, mas sim político. Exprime o reconhecimento desta simples mas muito importante realidade: O PSD, pelo seu programa e prática política, é um partido que encontra eco em vastas camadas de trabalhadores. Isso deve-se, em larga medida, à actuação de dirigentes e militantes sindicais integrados na TESIRESD, que tem sabido, no campo especificamente sindical, levar a cabo uma política correcta de defesa dos interesses dos trabalhadores. Estou certo que esses sindicalistas se manterão fiéis à linha de rumo que conduziu o sindicalismo reformista de base social-democrata, ao lugar de relevo que justamente ocupa no movimento sindical democrático."

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

PORQUE ESCREVI


Este texto foi escrito nos dois dias seguintes ao meu Pai morrer.
Tive que o colocar no papel para não me esquecer dele. Tive que o colocar no papel para lhe dizer (a ele e a mim) tudo o que me ia na alma. No final senti-me sereno e em paz com a minha vida e com a morte dele. Os próximos tempos vão ser difíceis mas os que virão depois ainda mais difíceis pois a sua memória irá fugindo.
E por isso escrevi. Para que eu não me esqueça. Para que os meus filhos possam saber um pouco de quem ele foi e aprender com o seu exemplo. Para que os meus sobrinhos no seu caminho possam também ter um testemunho do tio que com ele se fez homem.
Para que os meus irmãos e a minha mãe possam descansar um pouco no sorriso das nossas memórias.
Para quem quiser aprender com o seu exemplo lhe possa falar sempre que quiser.
E para eu continuar a viver ao som do seu pulsar.
Nuno

Faz 21 meses que o nosso filho escreveu este texto.
Para que a tua memória não se apague. Para que o teu exemplo crie raízes. Para termos o conforto dos teus ensinamentos. Para sentirmos que estás presente.
Escrevemos todos os dias.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

DEPUTADO POR LISBOA


Em 1979 o Henrique é convidado por Francisco Sá Carneiro a integrar, pela AD, a lista de candidatos a deputado à Assembleia da Republica (eleições intercalares).
Embora a imprensa da época tenha especulado se não seria ele o Ministro do Trabalho deste 1º Governo da Coligação AD, (“Caso lhe viesse a ser proposto o desempenho do cargo de ministro do trabalho do VI Governo, o Dr. Nascimento Rodrigues não o aceitaria propondo, em sua substituição, o Dr. Eusébio Marques de Carvalho, que já desempenhou essas funções no IV Governo e de quem foi o colaborador mais directo") inicia  neste ano a sua experiência como deputado.
No dia 28 de Fevereiro de 1980 é entrevistado pelo Semanário  “O Tempo”.
À pergunta do Jornalista:
Sabemos que, desde sempre, se tem mostrado avesso a exercer tarefas partidárias. Como explica, pois, a sua candidatura a deputado, pelas listas da AD, como representante do PSD pelas listas de Lisboa?
Resposta do Henrique:
“ Não é exacta a afirmação de que tenho sido avesso ao exercício de tarefas partidárias. O empenhamento na concretização do ideário social – democrata e a busca de uma realização apropriada do programa do PSD não têm, forçosamente, que revelar-se pela ocupação de postos partidários. Por razões relacionadas com a minha própria maneira de ser e com uma actividade profissional muito cheia, optei por um militantismo diferente, mas que não concebo como menos útil ao partido. A este, são vantajosas todas as actuações que defendam e expandam o seu projecto, em qualquer área da sociedade. Não se deve confundir, pois, empenhamento partidário com preenchimento de postos do aparelho do partido.
Assim se explica, portanto, que tenha aceite a candidatura a deputado. Entendi que o País se encontrava num momento decisivo, e não seria correcto a meu ver, “descartar-me” da responsabilidade de uma intervenção, assumi-a com o sentido de cooperar no reforço da tónica social – democrata do projecto político apresentado ao eleitorado pela AD e claramente preferido na votação a que o País foi chamado”.


segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

9 DE JANEIRO DE 1981


Foi a 9 de Janeiro de 1981 às 12 horas que tomou posse, no Palácio da Ajuda, o I Governo de Pinto Balsemão (VII Constitucional).

 Nascimento Rodrigues, novo Ministro do Trabalho dirá de si para consigo: “ Se fossem todos trabalhar era bem melhor…” A expressão não é má, mas será que aquelas barbas vão aguentar a pressão que vai ser exercida sobre elas….
IN “O Diabo 13 de Janeiro de 1981

DÉCADA DE OITENTA

A década de oitenta é marcada por um período de enorme instabilidade governativa, com governos de curta duração e nenhum deles capaz de completar uma legislatura. Mas é precisamente nesta época (provavelmente por causa desta época), que a carreira política, partidária e parlamentar do Henrique toma expressão. Já percorremos parte da sua actividade enquanto Ministro do Trabalho no I Governo Balsemão logo após a morte de Francisco Sá Carneiro. Não vamos de modo algum entrar nas memórias de carácter político, não é esse o fim deste blogue. Mesmo que fosse, não estão escritas e como tal impossíveis de reproduzir. Há no entanto factos públicos, conhecidos e que poderão ficar no blogue com a finalidade que o Henrique lhe quis dar – deixar aos netos uma lembrança deste avô que os quatro mais novos não chegaram quase a conhecer, e como tal, não reterão qualquer lembrança da sua memória. É para eles que escrevemos. Para eles e também porque precisamos, (como pão para a boca), de modelos, de Homens Bons, de “Sécúlos”, de “Mais Velhos”, de "Homens Sábios", aqui vamos deixando, dia a dia, o saber, a acção e os exemplos de vida que o Henrique nos ensinou. Como herdeiros da sua memória entendemos ser fundamental deixar escrita a vida que ele viveu.
Retomamos agora a década do oitenta, sem embargo de podermos introduzir, desde que a propósito, outros temas, de outras épocas. Ao fim de quase dois anos de blogue, podem crer que temos material para isso.
O facto mais importante dessa época foi de facto a morte de Francisco Sá Carneiro no dia 4 de Dezembro de 1980.
Onde estava o Henrique no momento do acidente? Num sessão de esclarecimento, na Voz do Operário. Seria um dos oradores da noite. Estava com os três filhos mais velhos. Era o fim da campanha para a eleição do Presidente da Republica. Em confronto o General Soares Carneiro e o General Ramalho Eanes. A imagem que reproduzimos ilustra esse facto.