terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

POR UM SINDICALISMO LIVRE E INDEPENDENTE


"Ninguém duvidará que greves repetidas e constantes não são favoráveis à recuperação económica de que o país tanto precisa.
Pergunto-me se no fundo não estaremos a caminhar para uma situação económica e social muito pior do que aquela que seria possível obter, se todos fizessemos um esforço para sabermos quais os limites a repartir pelos portugueses.
O tipo de sindicalismo de acocoramento perante os partidos políticos, sejam eles quais forem, não serve, verdadeiramente, os interesses dos trabalhadores portugueses, que o não querem. A grande alternativa para o mundo laboral do nosso país é, de facto, a existência de um sindicalismo que seja na realidade, livre e independente.
Torno a minha crítica aplicável não só aos sindicatos de obediência comunista, como a todos os tipos de sindicalismo que, no fundo se deixem manobrar por forças político-partidárias e, fundamentalmente, por forças políticas de sentido extremista.”
IN DN 19/2/82

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

SOB VIGILÂNCIA DO FMI


Ano difícil, 1982. O Henrique é o vice - presidente do PSD em exercício e preside à comissão política nacional. Portugal está sob vigilância do FMI. Exige-se capacidade de resposta à situação de crise nacional e internacional.
1982 será o ano  de encerramento do processo de negociações da adesão á CEE e de eleições autárquicas.
Em 1982 “a grande prioridade que se coloca ao PSD e a todos os partidos democráticos é conseguir que a revisão constitucional chegue a bom termo. Isto significará simultaneamente, a vitória do consenso democrático e da democracia plena e civil sobre a democracia mais ou menos tutelada em que vivemos”. Seria o fim do Conselho da Revolução.
Tudo isto exige grande sentido de responsabilidade por parte de todos os partidos democráticos
O VIII Governo constitucional, governa, desde Setembro de 1981, em clima de permanente contestação interna e externa. Há forças políticas da área da governação que desejam a institucionalização da Aliança Democrática.
IN “A Capital” 9 de Janeiro 1982 - " Comemora-se o 1º Aniversário de posse de Pinto Balsemão. Nascimento Rodrigues, Vice – Presidente do PSD, ao fazer o balanço da acção governativa da AD., declarou":Devemos expressar o sereno regozijo por termos sabido conquistar e manter – pese embora as dificuldades e as contrariedades sofridas – uma maioria estável que é o cimento do projecto de mudança prometido aos portugueses, que não nos perdoariam que delapidássemos o que a tantos custou a ganhar.
Há condições para encarar o futuro com confiança mas não com optimismo, porque a situação económico financeira exige da maioria e do Governo um esforço acrescido de lucidez política e de empenhamento na resolução dos problemas nacionais.
Existe um largo caminho a percorrer para se cumprir o mandato de confiança e de esperança que em duas eleições foi atribuído à AD.  Mas é igualmente necessário que tenhamos consciência do valor extraordinário que representou a viragem política traduzida na formação da coligação governamental. Sem esta maioria o país permaneceria sujeito aos solavancos de uma governação fraquejante, por minoritária”.
 Dirá, mais tarde, a 16 de Janeiro, ao Jornal “O Dia”:
“Por mim reafirmo aquilo que sempre tenho dito: sou claramente a favor do projecto votado nas urnas; sou contrário à desagregação desse projecto, tal com sou contrário à sua transformação mais ou menos encapotada, num projecto diferente ou seja a institucionalização da AD num só partido.”
Esta afirmação, o seu testemunho indiscutível de social-democrata convicto, marcariam, com todas as consequências, o seu percurso político partidário neste ano de 1982.   

sábado, 25 de fevereiro de 2012

COERÊNCIA POLÍTICA


“ Em política não podemos fazer afirmações de fé para toda a vida. Isso seria irrealista.

Mas os políticos devem ser coerentes, para que os militantes e o povo em geral, possam acreditar neles. Acho muito má a experiência de certas figuras políticas do nosso País que hoje advogam uma coisa e, amanhã, praticam outra. 


Eu não sou assim e penso que a coerência é essencial para um político. 


O partido precisa de dar, neste momento, uma demonstração inequívoca - quer a nível interno quer no exterior - que está unido e consciente dos perigos que estamos a atravessar.

Jamais, porém, surgiremos desse modo para o nosso “exterior” se, no nosso próprio seio, não admitirmos e praticarmos uma sã convivência democrática.

Isto supõe o direito a uma livre discussão no interior do partido e das suas componentes, tanto quanto o sentido consciente e livremente assumido de uma coesão ideológica e partidária para o exterior”.
 IN “Notícias da Tarde,”11 de Novembro de 1981

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

ADEUS

Adeus de voltar logo
é adeus bom e fácil
grácil memória de hora 
passageira.
Mau, é dizer até logo
e saber quanto é difícil 
a espera da demora

IN "Obra Poética de Neves e Sousa", 1972

É NOSSA, A ESCOLHA


“É fácil acenar à opinião pública com a imagem do desencanto na difícil situação económica internacional e interna, mas não parece correcto fazê-lo sem medir as consequências que isso pode acarretar no plano da participação democrática dos cidadãos na vida partidária, na vida associativa, nos actos colectivos e nos próprios actos eleitorais. O futuro não se constituirá na base do conflito com os partidos democráticos na presunção de que estes falharam. Contribuir para isso, é contribuir para a inexistência de soluções de democratização e desenvolvimento do País”
Povo Livre 10 de Novembro de 1982
“ Está nas mãos de todos os cidadãos e não apenas do governo escolher entre o contributo do trabalho do empenhamento e da participação democrática que viabilizem um futuro melhor e a atitude de criticismo permanente e corrosivo, de apatia e desinteresse, da obstrução e do oportunismo que podem inviabilizar a recuperação do País."
Lisboa 28 de Novembro de 1982 IN D.N. 

"A situação política e económico – financeira do País reclama insistentemente que os diferentes órgãos de soberania se pautem por um relacionamento saudável, de não hostilização, de esforço de compreensão das necessidades dos portugueses e de tentativa de acerto colectivo. Os portugueses aspiram legitimamente a que os seus representantes máximos façam provas de sentido de Estado. Têm o direito de lhes exigir que contribuam para a consolidação de um clima e de uma pratica politicas de civilidade democrática e de respeito institucional. Civilidade democrática e respeito institucional que são indispensáveis à recuperação das nossas dificuldades económicas e do nosso atraso social. Não é provocando-se uma instabilidade politica quase permanente que se forja o consenso tantas vezes proclamado e outras tantas na prática inviabilizado. Não é suscitando-se o afrontamento que se impulsiona o entendimento nas grandes questões de regime., não é perturbando-se a administração publica que se promove a eficácia e a estabilidade da acção governativa."
 Lisboa 14 de Junho de 1982  
   

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

O PSD NÃO PODE SER UM “PARTIDO DE ESTADO”


"O nosso partido não é, e não pode ser nunca, um “partido de Estado”. Partido representado no Governo, sim, e um Governo que deve levar a cabo uma política social-democrata ou de pendor reformista, pois para isso somos uma força política e para isso recebemos mandato popular. O PSD tem obrigação de ajudar os seus militantes que estão em exercício de tarefas governamentais. Ajudar não significa, apenas, nem sobretudo, dizer “sim” às acções úteis do Governo, difundi-las pela vida partidária e realçar o seu significado. Significa também e em larga medida, alertar para as omissões da acção governativa e sensibilizar para as necessidades que têm de ser satisfeitas, na medida em que razoavelmente o puderem ser. O PSD deve ser uma força de apoio ao Governo em que se encontra representado, mas de apoio lúcido e exigente, democrático e fraterno, apoio entusiástico quando tal se justificar, crítico for caso disso."
IN “Povo Livre” 18 de Novembro de 1981

NOVEMBRO DE 1981


A pouco menos de um mês do Congresso do PSD, que se realizará no Porto a 5 e 6 de Dezembro, o Henrique, vice-presidente a tempo inteiro, redige a moção da Comissão Política. Defende a continuação do projecto reformista da AD, mas diz não à sua institucionalização.
Defende  uma candidatura civil à Presidência da Republica (em 1985), e na linha de Francisco Sá Carneiro, (uma maioria, um Governo, um Presidente), originária de preferência,  da área social – democrata.
Lança a nova imagem do PSD. Partido de centro esquerda é a palavra de ordem para o próximo congresso. Procura a pacificação interna do partido, sem prejuízo da divergência de opiniões no seio do PSD
A missão: reforço da componente social-democrata com a chamada dos dissidentes e de todos quantos se sintam identificados politicamente com a social - democracia.
A 3 de Dezembro, entrevistado pelo “Diário de Lisboa” à pergunta do Jornalista:
“DL”- Michel Rocard disse um dia que “ o socialismo dos países do Sul é a social - democracia dos países do Norte”. Sendo assim qual o espaço nos países do sul, e em Portugal, da social-democracia?
Nascimento Rodrigues "Sem me referir para já e genericamente aos países do sul, penso que em relação a Portugal, a tónica diferenciadora entre os dois sistemas está por um lado, na rejeição de uma visão conservadora da sociedade e, por outro lado na rejeição marxista  clássica.  O socialismo, mesmo o socialismo democrático, nos países da Europa do Sul, continua muito amarrado ao marxismo tradicional. Nesse sentido, qualquer das perspectivas está ultrapassada na sociedade actual e é, nessa medida que afirmamos a social-democracia como o caminho que aponta para uma sociedade democrática, humanística e se distingue do socialismo democrático clássico".
DL Quer dizer que a social-democracia, do seu ponto de vista, defende a “reforma da repartição” e não a “reforma das estruturas”?
NR "Batemo-nos também pela reforma das estruturas, como diz. Aliás, penso que o grande desafio para a social-democracia, é, precisamente, apresentar um programa para a grave crise económica do País. As dificuldades económicas que atravessamos, não nos permite fazer uma distribuição da riqueza que é parca. Esta a razão suplementar para que tenhamos de efectuar reformas na nossa sociedade."