segunda-feira, 12 de março de 2012

PERMANECE EM NÓS


PERMANECE EM NÓS. AGORA E SEMPRE.

domingo, 11 de março de 2012

NUM DOMINGO EM ABRIL

Domingo, 11 de Abril de 2010. Precisamente a esta hora disseste-me:" não me dês o pequeno almoço, não estou bem disposto". Passaram 23 meses. Não tenho, sequer, consciência da tua morte. Para mim, não morreste. Só não estás aqui. E dói. Porque não entendo. Estás tão presente, que te sinto em todos os momentos da minha vida; quando me deito, quando me levanto, quando ando ou estou parada. Estás em todo o lado. A espera é permanente: de acontecimentos, de mensagens de regresso, de ti, de qualquer facto que te traga de volta. Nada é definitivo. Para mim, a tua morte não é um acontecimento concreto. O Henrique que eu conheci está aqui, sempre; quando falo com os filhos, quando olho para os netos, nas mínimas tarefas. Quando chove ou faz sol. Quando está frio ou vento. Não estou viva se não falar contigo, (ou de ti), em todos os momentos. Tudo é ilusório. Só o que escrevo e o que leio, de ti e sobre ti, tem existência real. Nem a idade é a nossa. Transportei-me para a nossa adolescência comum, vivo perfeitamente contigo os nossos 15, 16, 17 anos e por aí fora. Os nossos sonhos? Aqui estão! Lembras-te quando eu dizia que tínhamos 10 filhos? Vão estando cá... todos. São estes os factos concretos que me dizem que estás aqui. Eu falo e respondo por ti. Às vezes pergunto-me: será que eu tenho uma vida de "faz de conta"? Faz de conta que o Henrique não morreu, faz de conta que sou feliz, faz de conta que tudo corre bem, faz de conta, faz de conta, faz de conta...
Mas, depois, olho em volta: o que tu escreveste, sonhaste, viveste, criaste, legaste, os filhos que deixaste, não são faz de conta. A realidade concreta não pode ser faz de conta. Se nada disto é faz de conta, quando digo que para mim tu não morreste, também não é faz de conta. É real. mesmo que a realidade se plasme noutra época, noutro espaço, noutro tempo.l

UMA MANHÃ DE DOMINGO


Foi um encontro
fugaz
para um abraço
apertado
esta manhã de Domingo.
Encontro de  saudade
dorida,
magoada,
sentida,
ansiada,
vivida
num abraço apertado.
Manhã de Domingo.
São já tantos
os dias
que morrem
sem te abraçar,
que já me tinha esquecido
como era bom
enlaçar-te
com redobrada
ternura
numa manhã de Domingo.


sábado, 10 de março de 2012

UM POLÍTICO QUE VIA LONGE


1983. Pinto Balsemão está demissionário  do Governo. No início do ano os parceiros da coligação parecem ainda dispostos a dar um novo fôlego à AD possibilitando a constituição de  novo Governo evitando, assim, eleições antecipadas.
No dia 12 de Janeiro o Henrique concede uma entrevista ao “Povo Livre” órgão oficial do PSD
Povo Livre – Como é que encara a situação política actual?
N.R.  “Seria, no mínimo, estranho que num partido como o nosso se registasse uniformidade de opiniões a respeito do momento político que atravessamos, e que é delicado. Caso esteja certo na perspectiva que tenho acerca do sentir da maioria dos nossos militantes, responder-lhe-ia, porém, que, há um grande desejo que o novo Governo seja capaz de formular e levar a cabo, no contexto das constrições económico-financeiras conhecidas e no quadro de uma orientação de reformas democráticas graduais viáveis, uma política de reequilíbrio orçamental e de diminuição do endividamento externo, de moralização da Administração Pública e do sector empresarial do Estado, de contenção do crescimento da inflação, de recuperação nos desvios ao financiamento orçamental por via das receitas fiscais e outras, de ataque aos abusos na utilização de direitos sociais, de rigoroso controlo na aplicação efectiva do crédito concedido, de promoção de condições para uma produtividade empresarial que a concorrência internacional exige não se esconda sob o argumento capcioso de que é impossível porque a lei da greve obsta ao desenvolvimento económico, ou de que não é possível sem a intangibilidade do actual quadro normativo de garantia, tantas vezes artificial, dos postos de trabalho – e muito mais que compete traçar num programa de Governo e não nesta entrevista, como é evidente.
Creio, em suma, que existe no Partido um crédito de esperança e uma margem significativa de apoio ao Governo, que desejamos que seja rapidamente constituído, para que também rapidamente faça o que tem que fazer: governar. Os que não acreditam que digam então como é! Mas que se diga sem a ligeireza fútil da crítica vazia de apresentação concomitante de alternativas concretas de soluções.”
IN “ O Povo Livre 12 de Janeiro de 1983

sexta-feira, 9 de março de 2012

UM CIDADÃO AO SERVIÇO DOS OUTROS CIDADÃOS


A 8 de Junho do ano 2000, véspera da tomada de posse como Provedor de Justiça, (1º mandato), o Henrique dá uma entrevista ao jornalista Pedro Vieira da revista Visão. Esta entrevista permite-nos fazer uma breve revisão do seu percurso político e pessoal.

“ Muito antes de Guterres desfraldar a bandeira do diálogo, já Henrique Nascimento Rodrigues, 59 anos, dava corpo ao manifesto pela concertação social e pelo tripartismo, isto é, a busca de consensos entre patrões, trabalhadores e Governo. “Hoje em dia já tenho medo de falar de diálogo. Há duas décadas porém, a palavra diálogo não estava gasta pela luta político partidária”. Ministro do I Governo Balsemão em 1981, continuou defendendo o “diálogo social alargado” apesar de Portugal ter o FMI à perna, a exigir medidas de austeridade.
Já não fez parte do Governo seguinte, sacrificado às exigências do CDS parceiro do PSD na AD (Aliança Democrática). Sai por cima, prestigiado junto ao mundo sindical e da ala esquerda do PSD, ao qual aderira em 1 de Janeiro de 1978. É indicado para representar Portugal na administração da OIT. Mais tarde, como consultor da OIT e, também, como director do gabinete de Cooperação com África, do Ministério do Trabalho, Nascimento Rodrigues volta aos países africanos de língua portuguesa. É um regresso às origens. Nascido no Luso, actual Luena, Angola, onde o pai era funcionário público, aos 17 anos rumou a Lisboa para a Faculdade de Direito. Terminado o curso, começou a trabalhar em 1964 no Fundo de desenvolvimento da Mão de Obra.
Com a revolução de 74, liga-se ao movimento sindical. Está na origem da UGT e é um dos fundadores da TESIRESD (Tendência Sindical Reformista Social Democrata). Mas rejeita a classificação de sindicalista “ Só o é quem é eleito pelos trabalhadores para cargos sindicais”.
É deputado a várias legislaturas e no Congresso do PSD, em Montechoro, em 1983, forma com Eurico de Melo e Mota Pinto a Troika dirigente do partido. Em 1985, no Congresso da Figueira da Foz, opta por não se envolver na disputa que levaria Cavaco Silva à liderança laranja.
Em 1986, defende Rui Oliveira e Costa num processo de expulsão do PSD, por ter participado num comício de sindicalistas de apoio à candidatura de Mário Soares a Belém.
Em 1992 é eleito pela Assembleia da República para Presidente do Conselho Económico e Social.
Conta que, numa recepção em Madrid a Presidentes de Conselhos Económico Sociais, surpreenderia o Rei de Espanha ao revelar-lhe que se tinham encontrado, por volta de 1948, numa viagem que o futuro monarca fez a Angola, em companhia de seu pai o Conde de Barcelona.
Os primeiros tempos, como Provedor de Justiça, são para conhecer a casa, onde quer” ser um cidadão que possa servir os outros cidadãos”

IN “ A Visão” 8 de Junho de 2000


quarta-feira, 7 de março de 2012

O COLAPSO DA AD


Difícil, o ano de 1982! A revisão da Constituição só é aprovada em Setembro. Há agravamento da crise económica e financeira. Torna-se necessário a venda de reservas de ouro do Banco de Portugal. O FMI vem a Lisboa. Na política partidária acentua-se um movimento (em ambos os partidos), tendo em vista a institucionalização da AD e, o apagamento progressivo do PSD. Para isso tornava-se importante desacreditar quem pensasse em sentido contrário. O Henrique foi envolvido nessas guerras, quer por militantes do PSD, quer do CDS. Não foi fácil!
No meio de tudo isto, greves gerais desencadeadas pela CGTP-IN (Fevereiro e Maio). Uma pergunta pairava nos órgãos de comunicação social:
Como é que as greves decretadas pela CGTP tinham uma adesão que ultrapassava de longe a efectiva implantação do Partido Comunista? Questionado sobre este assunto respondeu o Henrique.  
N.R. – “Penso que, fundamentalmente, por duas razões: por um lado, porque em determinados sectores, nomeadamente nas empresas públicas, não desapareceu totalmente o ambiente de receio e de temor criado, anos atrás, pelo PC quando hegemonizava o poder sindical. E, por isso, muitos trabalhadores que não são comunistas ainda hoje ou têm receio ou estão suficientemente descontentes para lutarem contra esse ambiente que ainda perdura. Em segundo lugar, é facto real que os trabalhadores sentem que os seus salários não acompanham em tempo oportuno, a degradação sofrida no respectivo poder de compra. Seria necessário, por isso, prosseguir com firmeza e verdade uma política salarial justa que se fizesse acompanhar, por consenso, de medidas de aumento da produtividade. Não é possível distribuir mais riqueza se não criarmos condições para que exista mais riqueza. E isso passa por um esforço conjugado de trabalhadores, quadros técnicos, empresários responsáveis  governamentais, em suma das forças políticas e sociais”.
Será que a Intersindical poderá ainda participar no consenso democrático tão necessário à recuperação do País?
NR – Se a Inter não quiser entrar é ela que se auto marginaliza da construção do futuro. Nunca poderemos identificar o tipo de militância e estrutura organizativa dos partidos democráticos com as do PC. Está aí a raiz da diferença entre democracia e o totalitarismo. Os partidos sociais – democratas vivem uma liberdade e possibilidade de discordância que torna, aparentemente, difícil a capacidade de resposta ao PC. Mas é essa mesma liberdade a semente mais importante da resposta a dar às tentativas de implantação comunista. E volto a falar no consenso: o que está em causa são questões de regime e, creio as forças democráticas, sob pena de inviabilizarmos o nosso futuro, saberão dar a resposta adequada.
O colapso da AD  dá-se em Dezembro a seguir às eleições autárquicas.
Freitas do Amaral e Pinto Balsemão, demitem-se quase em simultâneo do CDS e do PSD
Pinto Balsemão mais uma vez apresenta o pedido de demissão como primeiro ministro. Desta vez não volta atrás.

NOTAS POLÍTICAS (92)


“Utiliza-se de um certo descontentamento popular legítimo e natural por parte de muita gente, (porque a crise económica que estamos a atravessar é uma realidade), para veicular toda essa insatisfação com vista à consecução de um objectivo que, no fundo, nada tem a ver com a defesa dos interesses dos trabalhadores.”
“É muito difícil manipular a inteligência e a consciência dos portugueses, mesmo quando estes sofrem os efeitos de uma política de austeridade, suscitada pela crise económico-financeira que atravessamos. Isso é muito positivo, do ponto de vista de resistência da sociedade civil."
Lisboa 1982