sexta-feira, 27 de abril de 2012

NOTAS POLÍTICAS (100)


“Não somos um Povo de ingratos para com os nossos, não somos um Partido de companheiros que se desgastam entre si, desgastando o Partido. Há exemplos em contrário? Pois há. Mas assim como a andorinha não faz a Primavera…
Não há, assim, razão para que tenhamos receio do futuro e não há motivo sério para, no imediato, se presumir qualquer perturbação sensível ou indecisão no norte do nosso caminho”.
IN “ O Povo Livre” 11 de Abril de 1985

quinta-feira, 26 de abril de 2012

NÃO QUEREMOS FAZER PORTUGAL ESQUECENDO PORTUGAL


A 15 de Maio, dirigindo-se aos militantes que estarão presentes no Congresso da Figueira da Foz, escreve em Editorial no “Povo Livre:
São 16 moções, mil e duzentos delegados, centenas de observadores e convidados. É toda a imprensa, mais a rádio e a TV. Milhares de olhos que nos seguem com ansiedade ou com desconfiança, vozes que nos interrogam ou deixam apelos e alertas. É o País inteiro que está a olhar para nós, os Sociais-Democratas reunidos no seu XII Congresso. Que vamos nós responder ao País , companheiro amigo?
Tu, vieste de Monção, de Leiria, de Faro ou do Funchal ou da Horta, ou de Paris e Toronto se és emigrante. Nós somos carne de Portugal feito comunidade espalhado além fronteiras.   
Somos filhos desse Povo que tem berço nas escarpas do Douro e nos picos da Estrela, que fez ninho nos barcos de pesca aproados em New Bedford, que palmilhou as anharas da Cameia e os trilhos de Bamabadinga. Povo que foi e retornou, que saiu e não voltou, ou que nunca se aventurou.
Viemos daí. Temos orgulho nos padrões da nossa história e da nossa cultura. E por isso respondemos ao País em primeiro lugar, que não sabemos propor para onde vamos sem dizer de onde viemos. Não queremos fazer Portugal esquecendo Portugal.
Por isso respondemos ao País, que somos Sociais-Democratas e não conservadores de direita ou de esquerda. Sabemos que o futuro já começou. Temos de o ganhar fazendo do presente o rio impetuoso que desagua no mar desse futuro. Cada um de nós é uma gota desse rio. Se nos perdermos no leito a que pertencemos, o rio será riacho, o riacho pode transformar-se em fio de água. É indispensável, portanto, que saibamos estar unidos sob a identidade que faz de nós o mesmo rio. Porque é essa identidade que timbra as nossas propostas políticas, que nos diferencia. E ao diferenciar-nos, seremos fieis às origens e dignos dos que em nós confiaram."
Editorial de “O Povo Livre” 15 de Maio de 1985


NOTAS POLÍTICAS (99)


“A regra da responsabilidade por actos políticos é medularmente democrática e é salutar que seja de facto praticada. Mas para o ser não pode funcionar num só sentido. E, sobretudo, não pode funcionar para servir de capa a objectivos que só longinquamente terão alguma coisa a ver com a Democracia. Isso seria, exactamente, desvirtuar o sentido ético da política e denegrir a prática democrática”.
IN “ O Povo Livre” 11 de Abril de 1985

terça-feira, 24 de abril de 2012

ASSUMIR O 25 DE ABRIL


«Para quantos, os três D da efeméride – Democratização, Descolonização, Desenvolvimento – se foram transformando em Desencanto, Desesperança, Desespero?
Entre esses estarão, quase certamente, os homens que se foram vendo com os salários em atraso de meses, os que querem trabalhar e se arrastam sem vislumbre de emprego, os que procuram investir honestamente e se defrontam com a teia tentacular de papeis, hierarquias e propostas concupiscentes. Muitos deles serão, é bem provável, os jovens que sonharam ser médicos, ou técnicos agrícolas, e foram atirados para sociologia ou encaixados em literatura, para depois palmilhar o caminho infindável do desencontro com as portas do trabalho que por aí não se abrem. E serão ainda, possivelmente, as mães de família que todos os dias operam o milagre da multiplicação de sobras cada vez menos elásticas. Só não serão as crianças que abalam para a escola de estômago vazio porque essas, coitadas, não sabem que Abril lhes prometeu outro mundo.
……………….
Os estômagos não têm o dever de saber captar a justeza dessas frias e bizarras comparações estatísticas intercontinentais, e a consciência de um Povo de oito séculos tem o direito de exigir para os seus filhos que a terra a que pertencem não lhes seja madrasta.
E, todavia, também é verdade que se justifica um orgulho colectivo pelo que se progrediu (pesem as imperfeições) na institucionalização e no exercício das liberdades cívicas e políticas e na modelação de regime democrático. Tudo isto escora alicerces que importa solidificar, aperfeiçoar, ampliar, no combate pela dignidade de cada homem e na preservação de valores multisseculares de identidade nacional.

O tempo urge porém. É preciso lançar por sobre os alicerces as paredes que não se acabaram e os tectos que não se começaram. É preciso que os verdadeiros ideais a que não se deu corpo ainda sejam revigorados pela coragem e lucidez de quem sabe que para espraiar a democracia e manter a liberdade é preciso cumprir a justiça.

Assumir o 25 de Abril é também, e por isso, assumirmo-nos como sociais-democratas. No nosso próprio reencontro.”
Editorial de “O Povo Livre”, 24 de Abril de 1985

segunda-feira, 23 de abril de 2012

NOTAS POLÍTICAS (98)


“A política é o risco da escolha. Somos um Partido grande e um Partido social-democrata. Nunca fomos e não queremos ser um partido de feição liberal. Mas o curioso de tudo isto é que uma estratégia anticonsensual pode conduzir em linha recta a esse resultado, seguramente ao contrário do que estou certo ser propósito sincero de quem a propugna e brande. Esse seria um resultado desastroso em termos dos interesses  de Portugal e de efeitos devastadores para o Partido, tal como nasceu e se fez. Mas não é essa, sequer, a imagem mais nítida que se me assume no écran desta questão. Por alguma, provavelmente absurda, conotação de ideias, a memória foca-me com insistência a paisagem de um deserto com um cacto solitário tombado sobre os seus próprios espinhos”.
Editorial de “O Povo Livre” 17 de Abril 1985


domingo, 22 de abril de 2012

1985

Em Fevereiro de 1985, Mota Pinto demite-se do PSD e do Governo.
No Congresso de Troia, a 23 de Fevereiro, nasce o PRD.
O Henrique dirige o “O Povo Livre” em Abril e Maio.
Subitamente, a 7 de Maio, duas semanas antes do Congresso da Figueira da Foz , morre Mota Pinto:
“ Os Deuses devem estar loucos: aquele que deveria ganhar o próximo Congresso (se as contas e a lógica estivessem certas) morreu em Maio. Não era um cidadão qualquer. Era quem, plenamente, exerceu o dever da cidadania e se assumiu como patriota. Mal ou bem - com erros por certo- Carlos da Mota Pinto procurou para este País, o nosso, uma solução.”
Nuno Rebocho In “ A Tarde” 8 de Maio de 1985
Cavaco Silva vence o Congresso da Figueira da Foz.  Em Junho é assinado o tratado de adesão à CEE. Cai o governo do Bloco Central, e a 6 de Outubro o  PSD ganha as eleições legislativas. Cavaco Silva é 1º Ministro.
1985 é também o ano em que o Henrique regressa à Guiné Bissau.

“Assumo a responsabilidade de dirigir o “Povo Livre” com a consciência da missão de militância que o seu exercício supõe e implica. Esse o vector fundamental por que tenho pautado a minha actuação ao longo destes anos, sempre que o partido decidiu chamar-me para esta ou aquela tarefa. Pretendo continuar a ser, hoje e neste cargo, o que fui ontem e noutros
A militância é uma missão de desempenho permanente para um social-democrata. Não é um sacrifício, não constitui um esforço incómodo, não exige recompensa ou benesses: é apenas o exercício do nosso sentido de liberdade responsável e empenhada na realização dos valores que o PSD defende.
Passo a dirigir “O Povo Livre”, portanto, porque quis aceitar o convite que me foi formulado e afirmo que me sinto satisfeito por o Partido ter entendido que eu poderia ser útil à frente destas colunas. Habituei-me a que, no PSD, somos homens livres e solidários. Fica claro, pois, que venho porque quero, e quero sem que alguém me deva algo ou eu deva a quem quer que seja – salvo a solidariedade recíproca de sociais-democratas, que dá sentido, conteúdo e valor à nossa própria liberdade.
 Mas a militância é também por natureza, variável e variada, visto que devemos estar onde seja preciso e possamos ser úteis, e enquanto assim for. Por isso mesmo o cargo que hoje assumo tem para mim o horizonte temporal da utilidade que para o partido resultar do modo como eu o exercer. E tem outro limite, que não posso deixar de impor-me: porque este é um cargo da confiança da direcção do partido, fica ele, desde já, à disposição dos companheiros que o Congresso da Figueira da Foz vier a eleger».
In " O Povo Livre" 11 de Abril de 1985

sexta-feira, 20 de abril de 2012

MÃE ÁFRICA