terça-feira, 7 de agosto de 2012
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
NÃO, À LEI DO MAIS FORTE
A 14 de Março a «Lusa”, noticiava, de Ponta Delgada – “O Presidente do
Conselho Económico e Social, Nascimento Rodrigues, preconizou hoje, nos Açores,
uma maior participação de todas as forças na elaboração de uma política social.
Na abertura da Conferencia Regional sobre “A Política Social Europeia”,
Nascimento Rodrigues defendeu que uma boa governação não pode dispensar a
participação social e que deve haver uma concertação estratégica entre os poderes
públicos e parceiros sociais. Para ele sem uma sólida participação social há
falência democrática e por isso, é necessário fazer desaparecer os egoísmos”.
(…)“ É minha profunda convicção de que não há saídas para os apertados atalhos sócio económicos em que nos encontramos (em Portugal como noutros países da União Europeia) sem se reforçar a liberdade, como fundamento da Democracia, e sem se arquitetar uma melhor Justiça Social como instrumento de paz entre os homens, entre as comunidades representativas dos seus interesses colectivos, e entre as nações.
A Liberdade é indivorciável da
responsabilidade. A justiça, por seu lado, não é separável da
boa lei e da sua efectiva aplicação, a tempo.(…)
Torna-se cada vez mais patente que, sem uma sólida democracia
participativa, a própria Democracia, na sua vertente especificamente político-partidária
e na sua expressão meramente parlamentar, é insuficiente. Há, pois, que
complementá-la, e irrigar o tecido civil e as artérias circulatórias
democráticas da sociedade através da participação dos parceiros sociais, do
diálogo social e da concertação sócio - económica.(…).
Porém, se os parceiros sociais
terão o direito de exigir ser cada vez mais escutados, mais compreendidos e
mais intervenientes, eles próprios têm,
também, requisitos a observar e
deveres a cumprir em relação ao País, e perante os outros parceiros.
Requisitos de democraticidade
interna e de autentica
representatividade, antes de mais. As
diversas organizações de natureza sócio - económica, profissional, ou de
solidariedade social, não podem ser
círculos de amigos influentes, corpos fechados sobre si próprios, meros instrumentos de captação de parcelas de poder só para alguns.(…)
Não há concertação estratégica se alguma das partes vier possuída de
uma visão interesseira e de curto prazo. Não
há concertação estratégica se qualquer das partes não se desapossar de
egoísmos sectoriais, não se despir de
malabarismos negociais, não se
dispuser a conceder, para também receber, em verdadeira solidariedade nacional.
Será utopia? Não é. A
alternativa é a falência da participação democrática; e essa conduz à pura
lei do mais forte, nuns casos, ou à mera corporativização da democracia, noutro
cenário, que seria diferente mas não melhor.”
Ponta
Delgada, 14.3.1994
Excerto do discurso proferido pelo presidente
do CES na Conferência Nacional Sobre Política Social Europeia “Livro Verde”
domingo, 5 de agosto de 2012
É TEMPO !
“(…) Inserido na Europa Comunitária, vizinho da bacia mediterrânica e,
portanto, do norte de África, postado face ao Atlântico e no Atlântico –
Portugal detém uma posição privilegiada e talvez ímpar.
É que somos uma Nação multissecular, um povo culturalmente
diferenciado, e por isso enriquecido na sua unidade nuclear, um Estado
incontroversamente unitário. A tripolaridade que argamassa os caboucos do País
e do Estado, e que gera a História da Nação andarilha pelas várias partidas do
mundo – essa tripolaridade específica é um factor de coesão nacional, e também
um instrumento de potencialidades de desenvolvimento, que porventura não
soubemos, ainda, aproveitar devidamente.
A nossa mais periférica situação no contexto da Europa reclama, é
certo, que o princípio da coesão económica e social se exprima pela
solidariedade concreta dos Estados mais desenvolvidos em relação aos mais
atrasados (…).
A coesão económica e social não é, apenas, um imperativo dos nossos
parceiros comunitários, em relação a Portugal. É, do mesmo modo, um imperativo
a observar no próprio âmbito nacional. Sem ela, dificilmente se torna possível
um desenvolvimento mais sadio do todo nacional, nas suas vertentes
institucionais, económicas, sociais e culturais.(…).
Não nos iludamos: o que está em causa é de tal modo profundo, incerto,
exigente, que esta mudança vai despoletar – seguramente – o aparecimento de
modelos de vida, de educação, de trabalho, de organização, enfim, de “ser e
estar” na sociedade, muito distantes dos que eram suposto estabilizados, e
definitivamente adquiridos, há alguns anos atrás. Quais as respostas para estas
questões? Que remédios para as chagas sociais que alastram? Aonde as soluções
para os problemas cada vez mais difíceis com que as nossas sociedades se
confrontam?
Não há respostas unívocas, remédios miraculosos, soluções concludentes.
E por isso mesmo, o dever de cidadania interventiva de cada um e de
todos reganha duplicada exigência justificação e significado.
É tempo, não de buscar caminhos tecnocráticos, de despachar soluções
populistas, de facilitar o que é difícil, de atirar para os vindouros o peso
triplicado da gestão política sem horizontes estratégicos – é tempo, sim, de
readquirir valores esquecidos, reacender princípios perenes, reaprender a solidariedade
humana, repôr regras entretanto marginalizadas de civismo, de legalidade e de
justiça.”
Ponta Delgada,
14.3.1994
Excerto do discurso proferido
pelo presidente do CES na Conferência Nacional Sobre Política Social Europeia
“Livro Verde”
sábado, 4 de agosto de 2012
SIM, AO DEBATE. NÃO, A UMA BABEL DE VOZES INAUDÍVEIS
“ A política social é um dos pilares das sociedades mais democráticas e
humanistas, a que generalizadamente aspiram os povos europeus, em particular os
portugueses e aqueles outros cuja situação de menor desenvolvimento evidencia
carências maiores.
Uma reflexão aberta, profunda e criativa, acerca do futuro e das
viabilidades e oportunidades da política social, requer iniciativas
transparentes e credíveis, diversificadas nas suas modalidades, mas
complementares nas suas finalidades.
O futuro da política social vai ter que se decidir, eu diria quase
permanentemente, visto que as questões socio - económicas exigem reflexão
contínua, decisão em tempo, acção sem hiatos. E isto porque, ao fim e ao cabo,
o social é o homem na sua aspiração imemorial de Justiça, como fundamento da
Paz, e no seu eterno anseio de
Liberdade, como instrumento da Democracia.
O debate nacional não deverá disfarçar diferenças de opinião, posições
divergentes, visões porventura contraditórias.
Mas também não deverá encaminhar-se por atalhos que o desviem de
finalidades sérias de uma busca esforçada de consensos alargados, para que a
solidariedade possa ser o suporte real de uma diversidade sadia e de uma
competição aberta, mas de rosto humano. E também porque só assim será um
debate, e não uma babel de vozes inaudíveis.
Lisboa, 4.3.1994 Instituto de Defesa Nacional Excerto do discurso
proferido pelo presidente do CES por ocasião da Conferência Nacional Sobre
Política Social Europeia “Livro verde”
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
TRÊS DE AGOSTO
Praia. Manhã de neblina. Céu e mar em confusão. O sol? Talvez brilhe
em breve. Ouço o murmúrio constante das ondas! O tempo (es)corre devagar.
Sentimentos, afectos, saudades, anseios, e, a tua chegada … para ficar… para a
eternidade!
Não te vejo. Mas estás aqui. No horizonte sem fim. Nos inúmeros tons
de azul. Que se unem. Confundem. Brilham.
… E a distância…! É o
Atlântico e, lá ao fundo, a linha mágica onde "termina". É a calma suave, (das
nossas manhãs), que se repete. Não há ondas,
mas, sinto o vento, e a tua presença. Vejo as gaivotas. Para sempre, olharei o
mundo parado lá ao fundo, em paz.
Como há 20 anos. Serenos. Em espera. Nós sabíamos. O
teu carro ia chegar à casa da Takula. A qualquer momento! A qualquer
momento!...
… E foi o alvoroço!
O Pai chegou!!!
Fazias 52 anos.
Os barcos não saem do mesmo sítio. Só as ondas permanentemente
se renovam. Como a vida. E a esperança.
Não estás agora. Mas vais chegar!
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
UMA SOCIEDADE DE “DUAS VIAS”
(…) O desemprego é um resultado
e uma causa da menor competitividade europeia. É um resultado porque deriva
da menor capacidade das economias comunitárias para criar empregos. É uma
causa, porque a situação de desemprego traduz-se na delapidação inaceitável,
sob qualquer ponto de vista, dos recursos humanos (a maior riqueza de qualquer
Nação) e exprime-se em quebras de receitas e aumentos de custos nos sistemas de
protecção social. A Europa está a perder, portanto, competitividade. O Estado- Providência está a perder
capacidade financeira para responder aos objectivos de protecção social para
que foi criado.
Por isso mesmo, a opinião pública nos Estados- membros revela cada vez
mais preocupação quanto à eventualidade de a integração europeia suscitar um
nivelamento por baixo das normas de protecção social. Os cidadãos europeus não querem que se enfraqueçam, ou se desmoronem,
os sistemas de protecção social que os respectivos Estados foram criando ao
longo de décadas. (…)
Os europeus anseiam, sim, por progresso económico e por progresso
social, na liberdade, com solidariedade, no respeito pela dignidade humana (…)
A prosseguir-se com as actuais políticas sociais, cada vez mais se corre o risco de as nossas sociedades se revelarem de “duas
vias”: de um lado, os que são altamente qualificados e criam riqueza, de
outro lado, os “não activos”, pouco ou insuficientemente qualificados, sem
emprego ou com emprego sem horizontes, destinados a receber subsídios e apoios
financeiros, mas sem hipóteses de realização humana cívica e profissional.
Tais situações não são compatíveis com os valores humanistas e
culturais das sociedades europeias. Tais
situações, a agravarem-se, esgotarão a capacidade financeira dos actuais
sistemas de protecção social.
Excerto da Conferência de Imprensa para
apresentação do debate sobre o “Livro Verde da Política Social Europeia – CES,
25 de Janeiro 1994
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
RUMO AO SOL POENTE
minha vida é um veleiro
com destino
o sol poente
vai cheio
o meu veleiro
em cada porto de escala
fiz saques
que acumulei
tudo o que tenho
roubei
roubei vida
roubei esperança
guardei amor
confiança
para encher o meu veleiro
que se desloca
com pressa
quando tudo terminar
toda a riqueza que tenho
fica comigo
lá longe
na ilha do meu destino
nessa ilha
tenho à espera
um amigo
consigo nada levou
mas pediu-me
que juntasse
o nosso saque comum
e no fim eu lho levasse
pr’a a ilha que descobriu
e guardou
pensando
somente em mim