segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

COOPERAÇÃO EM VEZ DE AFRONTAMENTO


Fim de 2007. Aproxima-se o  termo do seu segundo mandato como provedor de Justiça. Sempre parco nas palavras, e, “desconfiado”, nas relações directas com os jornalistas, o Henrique concede uma entrevista ao semanário “Expresso”.
Nessa entrevista afirma perentoriamente: “O Estado é um mau patrão” e explica: “porque é relapso a responder. Essa é uma queixa comum, em 36 anos de existência do provedor de Justiça. E o problema é que sem essa resposta, nada se pode fazer e o reclamante fica à espera. Queixo-me de algumas entidades públicas, a começar por gabinetes de ministros e de secretários de Estado que às vezes levam meses a responder a uma pergunta”. Porquê? “Porque há uma cultura de morosidade em todo o Estado. Acho que não é falta de vontade política mas uma cultura de laxismo. Estou convencido que os meus ofícios nem vão ao ministro. Ficam pelos chefes de Gabinete, pelos directores-gerais. A burocracia instalada". O jornalista faz agora a pergunta que se impunha
Expresso – Como se lida com isso?
Nascimento Rodrigues – “ Faz parte da circunstância de ser provedor. Não tenho poder para obrigar. A hipótese de uma recomendação não ser aceite faz parte do meu próprio ADN. Mas a opinião pública e a comunicação social saberão retirar consequências”. Mas como? Se foge aos Jornalistas! “É a minha natureza. Nunca assumi este cargo como um contrapoder. Prefiro uma relação de mútua cooperação, porque quanto mais intrusivo o provedor for, menos hipóteses tem de resolver o problema dos cidadãos, que é o meu principal objectivo. A cooperação é preferível ao afrontamento. Por isso, nos casos em que o provedor não tem sucesso a opinião pública fará o seu juízo”.
IN “Expresso 20 de Outubro de 2007

DEVER CUMPRIDO?


O segundo mandato do Henrique, como Provedor de Justiça, está a chegar ao fim. 17 de Junho de 2008 é o seu termo, e, de acordo com a lei, não poderá ser reeleito, por estar atingido o limite máximo da renovação de mandatos.
 Em Outubro de 2007, é entrevistado pela Jornalista do “Expresso”:
“Nascimento Rodrigues é provedor de Justiça desde 2000. Falou sempre muito pouco, mas antes de sair – no próximo ano – não poupou nas palavras".
Expresso – Sai no próximo ano, com a sensação de dever cumprido?
Nascimento Rodrigues – “Sim, com muita satisfação. E na reeleição em 2004, só tive oito votos contra. Foi muito gratificante, porque toda a gente sabe a minha origem partidária.
Expresso – Não entregou o cartão do PSD?
Nascimento Rodrigues – “Para quê? estou profundamente convicto que ninguém pode dizer que este provedor de Justiça teve uma actuação por motivações partidárias. Há uma cultura de imparcialidade nesta casa que é mantida e reconhecida. A grande força do provedor vem da opinião pública".
Expresso – Não tem arrependimentos?
Nascimento Rodrigues – “Falhei na estratégia de comunicação com a opinião pública. Primeiro, porque sou discreto. Depois, porque quis preservar a instituição dos solavancos. Talvez tenha exagerado"…  
Expresso- Oito anos é tempo demais?
Nascimento Rodrigues – “Sinto isso. A AR devia fazer uma revisão do estatuto do provedor e estabelecer um mandato único de seis anos”.
IN “Expresso 20 de Outubro de 2007

domingo, 27 de janeiro de 2013

TAXA DE RAMPAS


25 de Janeiro de 2008, “Jornal de Notícias” de 2008
Vila Nova de Gaia
Provedor de Justiça defende suspensão da taxa de rampas

“O provedor de Justiça recomendou a suspensão imediata da taxa das rampas em Vila Nova de Gaia. Na missiva enviada por Nascimento Rodrigues ao presidente da Câmara, defende a revisão do documento, assegurando que deixe de ser taxado o acesso de veículos a edifícios de habitação. (…) Nascimento Rodrigues pronunciou-se na sequência de ‘várias queixas’ apresentadas por munícipes. O valor a cobrar é de 25 euros por ano. (…) Também em comunicado a Câmara de Gaia assegura que vai dar a ´melhor atenção´ à missiva de Nascimento Rodrigues, mas deixa antever que não está a pensar em efectuar grandes alterações. (…).
Nascimento Rodrigues entende que a taxa deve ser suspensa e reavaliada, recomendando que ‘a sua reformulação afaste de tributação as situações de acesso de veículos a edifícios de habitação’. O provedor admite a sua ´estranheza´. Lembra o provedor que as rampas são utilizadas no dia a dia não sendo utilizadas, portanto, para nenhuma ‘actividade especial lucrativa ou não’.
A ideia subjacente à tributação que envolve a taxa de acesso é quase semelhante à que poderia justificar uma hipotética tributação do desgaste dos passeios pelos peões ou, permitindo-me utilizar uma imagem mais extremista, uma hipotética tributação das pessoas pelo simples facto de saírem à rua à rua e a utilizarem’  escreve o provedor na recomendação, a que o JN teve acesso.
IN “Jornal de Notícias, sexta feira, 28 de Janeiro de 2008

Nota: esta taxa de rampa seria suspensa em 2009, ano de eleições autárquicas
   

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

A BANCA DEBAIXO DE FOGO


Estamos em 2006. A Provedoria de Justiça desencadeia, de Junho a Agosto, uma acção inspectiva a vários serviços de Finanças. O relatório é tornado público em Novembro de 2007

“Debaixo de fogo da Provedoria estão as penhoras ao saldo total das contas bancárias ordenadas pelo fisco”. (Diário de Notícias, 22 de Novembro 2007).
“ Nascimento Rodrigues, denunciou, esta quarta-feira no Parlamento que os bancos estão a congelar algumas contas bancárias e a penhorar salários e pensões de forma ilegal, com o conhecimento do Banco de Portugal. A casa Governada por (…) já reagiu e esclarece que esta matéria não é da sua competência.
Nascimento Rodrigues garantiu aos deputados que o governador tem conhecimento desde 2005 que os bancos não respeitam os limites legais das penhoras, congelando as contas bancárias dos clientes, ultrapassando os limites da Lei. (…). “Mete-me confusão o procedimento dos bancos, mas estou a aguardar pelas respostas do governador do Banco de Portugal”, disse o Provedor, citado pela ‘Lusa’. As conclusões do relatório foram enviadas ao Banco de Portugal e à DGCI a 14 de Dezembro e a lei diz que essas entidades têm 60 dias para responder.
Segundo Nascimento Rodrigues, a DGCI já enviou a sua resposta para a Provedoria de Justiça, mas o Banco de Portugal ainda não respondeu. O BdP desmente. Reagindo às declarações, emitiu um comunicado onde diz que não tem competência regulamentar na matéria e que o comunicou ao Provedor de Justiça em ofício de 12 de Dezembro de 2005. No entanto, garante no mesmo comunicado, vai enviar às instituições de crédito uma carta circular chamando a atenção para o cabal cumprimento do disposto na Lei”
http://www. agenciafinanceira.iol.pt/ 17 de Janeiro 2008

“Exemplo de Casos:
1. Conta totalmente congelada: A conta do executado. na Caixa Geral de Depósitos, recebia exclusivamente o depósito do seu vencimento como funcionário público, tendo sido integralmente congelado pelo banco. Por lei, tem de ser permitida a movimentação da conta no valor equivalente ao salário mínimo nacional.
2. Foi penhorada sem ter dívidas: O serviço de finanças de Almada promoveu uma penhora junto da CGD que viria a incidir sobre uma conta conjunta da executada com a sua mãe (que não tem dívidas) e cujos depósitos provinham de uma pensão paga pelo Estado.
3. Futuras pensões captivas: As finanças de Gondomar decidiram penhorar uma conta em que era depositada a pensão da executada. Dado que o saldo era insuficiente para pagar a dívida na totalidade, ficou a conta congelada e foi informada de que todos os créditos futuros (pensões) ficariam cativos à ordem da execução”.
IN “Correio da< Manhã 17 de Janeiro 2008

domingo, 20 de janeiro de 2013

REGRESSO



5 de Junho 2005. A propósito da comemoração do 30º aniversário da Provedoria de Justiça, Ana Sousa Dias, antena 1, entrevista o Henrique. No fim da entrevista, que tem a duração de uma hora,  Ildo Lobo com "Regresso". 

SAUDADES


Tenho para mim ser a mesma rua
a mesma casa a mesma lua
tenho por isso saudades
porque eu é que não sou o mesmo
e o que de mim fui perdi-o a esmo
tenho por isso saudades
meu passado é um tesouro de ametistas
joias tristes apenas entrevistas
a vida que era uma bela flor vermelha
de repente murchou e ficou velha
tenho por isso saudades
saudades, não da vida que passou
mas saudades da saudade que ficou
tenho por isso saudades
embora seja esta aquela mesma rua
a mesma casa e a mesma lua

Albano Neves e Sousa
IN “Obra poética de Neves e Sousa”, Lisboa, Fundação Lusíada, 2005

AVÔ E NETOS


Casa da Takula 3 de Agosto de 2003. Avô e Netos