domingo, 19 de maio de 2013

GRITO DE ALERTA

 Diário de Notícias, Quinta-Feira 4 de Junho 2009

"A renúncia do Provedor de Justiça, depois de cerca de um ano de espera, paciente e depois impaciente, pela sua substituição, apenas é o culminar de uma situação apodrecida. Durante todos estes meses, o Parlamento e os partidos não encontraram tempo, nem vontade, para eleger um novo Provedor, expirado o mandato do actual. Situação insólita. É entendível poder ser necessário algum tempo para a obtenção de consenso sobre um nome aceitável pelos partidos que originam a maioria qualificada. mas não é aceitável que esse lapso de tempo se prolongue por cerca de um ano, ocupado com guerras de afirmação de poder político-partidário, de ocupação de espaço na máquina institucional do Estado e de desrespeito pelos interesses e direitos dos cidadãos - que  é suposto o Provedor defender. Mas parece que este "pequeno pormenor" não foi levado em consideração pelas forças partidárias maioritárias, nomeadamente pelo maior partido parlamentar, o PS. Apesar do empenho do presidente da Assembleia da República em acelerar o processo de eleição e dos apelos do próprio Presidente Cavaco Silva, o que parece ter predominado foi o interesse em ganhar uma posição institucional no Conselho de Estado - uma vez que o Provedor nele tem assento directo.
A renúncia de Nascimento Rodrigues, o actual "Provedor à força", feita em sede própria (a Assembleia da República), é não apenas uma manifestação de cansaço mas também um grito de alerta. Para um país de surdos".   


ADEUS AVÔ



Morrer é viver de sombras em jeito de alma. É estar aqui, entre o céu e a terra, todos os dias.

DESPEDIDA



3 de Junho 2009 

Morrer é sabedoria, eu consciência, paz sem ruídos, labirinto interior, harmonia. Nosso destino comum.

O PROVEDOR E A INJUSTIÇA


IN “Jornal de Negócios” Quinta-Feira, 4 de Junho de 2009
“O Provedor de Justiça tem sido o encarcerado mais célebre de Portugal. Com ele não há presunção de inocência. Para o PS e o PSD, até prova em contrário, a sua tentativa de sair de um cargo para o qual foi eleito em 2000, mostra a sua culpabilidade. Qualquer que ela seja, talvez até estar há um ano à espera que elejam uma qualquer personalidade para o substituir. Nascimento Rodrigues está farto, o que é compreensível. Mas acontece que quer, após nove anos, ir à sua vida. Mas não o deixam. Dentro do espírito retrógrado com que encaram a democracia (uma dança de cadeiras onde há lugares marcados para cada um), PS e PSD não conseguem chegar a um acordo. Que defenda o interesse dos cidadãos e não, apenas, a gulodice dos partidos. O que se tem passado com a eleição do Provedor de Justiça é mais grave do que se pensa. Mostra como a partidarização da administração pública portuguesa se tornou uma monstruosidade. Que amarra a sociedade civil à vontade dos principais partidos portugueses. O PS e o PSD consideram-se pai e mãe da democracia portuguesa. Dividem o país e os cargos do Estado. E sufocam, com esta partilha a democracia. O drama de Nascimento Rodrigues é que, em nome da liberdade o colocaram numa gaiola. Porque nem o PS nem o PSD têm a chave para a abrir. Porque são incapazes de soletrar a palavra liberdade.”

Assina – Fernando Sobral

sexta-feira, 17 de maio de 2013

MEMÓRIA COLECTIVA

" Quem viu a imagem de Nascimento Rodrigues na televisão no dia em que formalizou a sua renuncia  e quem o ouviu nesse momento comunicando ao país a sua decisão, pode ter pensado ver ali somente um homem emocionado. Mas não. Na fragilidade da sua voz e do seu corpo estava o resultado do enorme esforço físico em que já se encontrava. E revendo hoje essas imagens, ocorrem-me as palavras que, mais tarde, ele próprio usará para descrever o seu "Ouvidor do Kimbo"  "(...) um ar sereno e ao mesmo tempo como que magoado por uma dignidade indisfarçável".
"A renúncia de Nascimento Rodrigues ao cargo de Provedor de Justiça foi um tributo ao País e aos seus cidadãos: na decisão de renúncia encontrou a expressão possível para aquele que era ainda o seu dever de Provedor: defender os interesses dos portugueses contra os abusos dos poderes públicos e salvaguardar a dignidade do cargo de que, naquele momento, se despedia".
"Não se tratou de recusar a responsabilidade por um cargo que ainda ocupava mas sim de chamar outros a uma responsabilidade que lhes competia."
Sofia Nascimento Rodrigues

Vamos relembrar?
- http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=224245&tm=8&layout=122&visual=61&source=mail

terça-feira, 14 de maio de 2013

LAVRA

O meu caminho existe, desde sempre
e a queda que prevejo pode ser minha.
A mão capaz de me suster aqui
não pedirá licença, se quiser que eu caia.
De que adianta iluminar-lhe o chão?

IN "Lavra" (poesia reunida)
Ruy Duarte de Carvalho

Fotografia - 9 de Abril de 2010

BATER COM A PORTA?


30 de Maio de 2009
“Provedor de Justiça prepara-se para bater com a porta alegando estado de necessidade”.
“Partidos falham eleição do sucessor, mas Nascimento Rodrigues já fez saber não estar disposto a continuar mais tempo”.
“ O provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues, prepara-se para abandonar o lugar na próxima semana, apesar de a Assembleia da República ter ontem falhado, mais uma vez, a eleição do seu sucessor.
A legislação não facilita uma saída (…) obrigando quem exerce funções a manter-se no cargo até que seja encontrado um substituto. Mas ao que o ‘i’ apurou, o actual provedor está a estudar uma saída e deverá invocar estado de necessidade para bater com a porta. Mesmo que o argumento não seja aceite, aumentará a pressão sobre os grupos parlamentares para chegarem a um entendimento quanto ao nome a substituí-lo.
A suportar o estado de necessidade – uma situação extrema – o provedor poderá invocar os problemas de saúde que já obrigaram a um internamento de duas semanas no Hospital de Santa Maria. E a vontade de não permanecer mais tempo como provedor – menos ainda até Novembro”.
IN Jornal “i”, 30 de Maio de 2009