Todo o processo da substituição do Henrique foi seguido com espanto. Acredito que o País tenha sentido alívio quando pôs fim às cenas deprimentes desse malfadado ano, renunciando. Para que a nossa memória colectiva não desapareça, tomo a liberdade de deixar, aqui, hoje, um testemunho público, entre os muitos que se encontram publicados.
Senti alívio ao saber da notícia da renúncia do cargo de Provedor de Justiça de Nascimento Rodrigues. Podem ler a carta de
renúncia aqui É uma mostra de elevação e uma bofetada de luva branca nos dois partidos com
maior representação parlamentar, o PS e o PSD.
Revolta-me termos chegado a esta situação, por duas razões:
Uma, de humanidade, que parece não existir nos deputados do PS e
PSD e que apesar “das debilitadas condições de saúde” do provedor, como escreve
o próprio na carta, não souberam, não quiseram, encontrar um consenso para a
sua substituição, deixando esta situação prolongar-se por um ano. Um ano!
Como é possivel obrigar uma pessoa num cargo até já não ter
condições de saúde para o exercer? E assistir sem vergonha ao Provedor falar
aos jornalistas em visíveis dificuldades físicas?
Outra, de desrespeito pelo cargo e pelos cidadãos; estes
senhores deputados estão apenas interessados em fazer prevalecer o seu ponto de
vista e agora que as posições se extremaram nenhum quer recuar. Com isto
demonstram o valor que dão ao cargo de Provedor de Justiça. Na sua óptica,
concerteza, nenhum.
O Provedor de Justiça tem por função, segundo o artº 1º do seu
estatuto, “a defesa e promoção dos direitos, liberdades, garantias e interesses
legítimos dos cidadãos assegurando, através de meios informais, a justiça e a
legalidade do exercício dos poderes públicos”. É desta representação
Concidadãos que nos estão a privar. Ao contrário dos senhores deputados,
eu acho o cargo muito importante.