segunda-feira, 24 de junho de 2013

BAÚ DE RECORDAÇÕES

Regresso a Macau. Janeiro de 1990. É a primeira vez que o Henrique visita o Território. Notícias dos Jornais. O Dr. José Belo. Sempre.

" O Dr . Nascimento Rodrigues visita Macau"
"Antigo Ministro do Trabalho, responsável pelo Gabinete de Cooperação com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e autor de vários estudos sobre questões de trabalho, o Dr. Nascimento Rodrigues desloca-se a Macau a convite do Governo do Território, estando a sua chegada prevista para hoje, dia  6. Além de audiências oficiais, com o Governador e com a Secretária Adjunta para a Saúde e Assuntos Sociais, no programa da visita estão previstas várias reuniões de trabalho com dirigentes e técnicos da Administração, sendo ainda palestrante numa conferência subordinada ao tema ' A dimensão social do mercado único europeu', que terá lugar no dia 10 de Janeiro, pelas dez horas e trinta minutos, nas instalações da Direcção de Serviços de Trabalho e Emprego, sitas na Rotunda Carlos da Maia"

domingo, 23 de junho de 2013

TRIBUNA DE MACAU

Mão amiga enviou-me, por mail, a edição on line do Jornal Tribuna de Macau com data de 17 de Junho de 2013.
Na sua secção,  " Do Baú de Recordações," noticia:
" Do nosso Baú de recordações publicamos hoje uma foto de 16 de Maio de 1994 quando a Secretária Adjunta para os Assuntos Sociais, Ana Perez presidia ao acto inaugural das comemorações do 75º Aniversário da Organização Internacional do Trabalho. Está ladeada por Nascimento Rodrigues que foi Provedor de Justiça, e, pelo director dos Serviços Laborais de Macau, José Belo" 

E, claro, eu fui também ao meu baú de recordações.  

quinta-feira, 20 de junho de 2013

NÃO É DESPEDIDA

Foi o último capítulo de uma vida que queríamos contar. O Henrique morreu. O nosso mundo mudou. Mas curiosamente, todo o mundo mudou. Não só o nosso! Mudou o Mundo de outros de muitos outros. Mudou o mundo da nossa família, não tenho dúvidas. Mas de quantas famílias mudou o mundo?. O Henrique morreu. O cimento do mundo mudou. Do nosso? É evidente. E o cimento do resto do Mundo? 2013 é muito diferente de 2010! Como se a alma da nossa democracia tivesse morrido com o Henrique.
Neste 4ºano após a sua morte sentimo-nos, nós família, (mas muitos outras também), como aves a abandonar o ninho, gaivotas a mudar de rumo, cardumes a morrer na areia.
É verdade que o Henrique morreu. Mas não podemos desistir de tudo porque lutou e nos ensinou. Ao contrário. Por ele renovaremos a vida, endureceremos o cimento, o do nosso mundo, o do mundo dos outros também. Por ele teremos força para continuar. O último capítulo não vai ser um fim, de ti, de nós e de tantos outros.
 A saudade não é despedida. É recomeço, é presença.


terça-feira, 18 de junho de 2013

O ÚLTIMO CAPÍTULO

A três de Junho de 2009 o Henrique regressa a casa para dar o seu tempo à família, aos amigos, aos livros, para continuar a viver.
Escasso tempo….
“ Na nossa casa de férias, a casa da Takula, costumávamos pedir silêncio uns aos outros sempre que subíamos ao escritório e o encontrávamos deitado no sofá, de olhos fechados, mãos cruzadas sobre o peito. Nesses momentos, sabíamos que descansava, que estava feliz, sereno, reconfortado com a vida.
Também agora descansou, e para sempre. A vida do nosso pai terminou, chegou ao fim, teve um final. Mas pleno de sentido. Ele viveu uma vida com fio condutor, uma vida com trilho. Olhar o passado e perceber que não poderia ter havido outro caminho, como se a sua vida se predissesse, desde o início. Reler os contos que escreveu na juventude, reencontrá-lo, a ele mesmo. Herdar de um pai uma vida única e una na sua coerência interna  como aliança que se entrega em compromisso. Sentir um profundo orgulho pelo trajecto que fez e pelos passos que deu, dos primeiros aos últimos passos. Compreender hoje, melhor do que nunca, a singularidade daquela pessoa, o ser humano excepcional que foi, a sua irrepetibilidade. Compreendê-lo, recordá-lo e continuar, seguindo-lhe o caminho. Recordar fundamentalmente um homem livre. Um homem que ao invocar a liberdade como determinante da decisão de renúncia mais não faz do que ser fiel à mesma liberdade que aprendeu no Kimbo e que usou em todos os cargos que exerceu e na forma como esteve na vida. A coerência de pensamento, a firmeza de atitudes demonstrada, foram uma constante na sua vida.
Creio que o seu sonho de “ser alguém” se cumpriu. O nosso pai, Henrique Nascimento Rodrigues, não se limitou a passar pela vida. Modificou-a e modificou a vida de outros. Hoje Portugal tem muito dele próprio.
Viveu e morreu o Ouvidor do Kimbo, que tinha o ouvido no coração.
Sofia Nascimento Rodrigues  

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A DOR QUE PERMANECE

A dor da tua ausência, não desaparece, não se dilui nem se esbate. Esconde-se e permanece: no sorriso das manhãs, na sombra das tardes ou na solidão das noites. Regressa sempre ao raiar da aurora destes dias cinzentos, nas brisas geladas deste quase Inverno, frio, cortante, desolador. Transfigura-se em saudade, em lembranças, em tristezas. E permanece nas perguntas: porquê? Para quê?
Porquê tão cedo? Porquê tão de repente?`

É que às 8 horas da manhã daquela segunda feira, 12 de Abril de 2010, (dia do aniversário da minha mãe, dia do casamento dos meus pais, dia, desde sempre, de reunião de família), pediste um copo de água. E pronto. Às 8 e quarenta repousavas para sempre. Adormeceste. Quando veio o tal copo de água estavas sereno, olhos fechados, as mãos  cruzadas no peito. Tal como  te encontrávamos quando, a meio da tarde, na casa da Takula, subíamos a escada em direcção ao teu escritório. Descansavas.  Nem me despedi de ti. E choro. Continua, para mim, a ser uma impossibilidade, um mistério. Sem desígnio. Estive a teu lado, sempre e para sempre. Tudo o que vejo, agora, entra no meu peito desfaz-se nos meus olhos grita na minha alma. Não é tristeza é lamento por esta distância sem fim. E para quê? 
Imagem 9 de Abril de 2010

quinta-feira, 13 de junho de 2013

UM MISTÉRIO ENCANTADOR

Ao dar por terminado o seu segundo mandato à frente da Provedoria de Justiça, o Henrique vem para casa. Projectos?
“Quero dedicar tempo a mim próprio, à minha família e aos meus amigos, ao estudo da história de Portugal – sinais da crise – e a uma mera participação cívica nos problemas do País – por exemplo, com um blogue de comentários, que me ajude a ultrapassar a minha iliteracia informática e me obrigue a reflectir sobre as razões porque sinto tanto desencanto com a visível degradação da qualidade da vida política no nosso país”. ( 19 de Março de 2009).


“Chegado ao fim de 2009, o meu pai estava feliz porque já não esperava nada e nisso podia esperar tudo, Sonhava fazer um blogue diferente. Assim nasceu o “Ouvidor do Kimbo”. Nele, o meu pai escreveu de 15 de Janeiro a 9 de Abril de 2010. Notas políticas, pequenos filmes, dados autobiográficos, poemas e canções, telas, quadros, fotografias… enfim, a sua impressão digital. A 12 de Abril de 2010 partiu. Mas “O Ouvidor do Kimbo” é um mistério encantador. Afinal, o meu Pai era alguém para quem a informática e os computadores tinham sido estranhos toda a vida mas que, no último ano de vida, decide criar um blogue e nele contar-se e dar-se. Num ápice, “ O Ouvidor do Kimbo” devolve-lhe a motivação, a alegria, a força, enche-lhe as horas e os dias de entretenimento fácil. Manteve-o ligado – a si, aos outros, ligado à vida. E foi esse blogue que, no último ano de vida, lhe deu tanta vida, que nas horas que se seguiram à sua morte física ‘chamou por nós’, pronto a lembrar-nos o pai e a ser instrumento para o pai ser lembrado”.

Sofia Nascimento Rodrigues

quarta-feira, 12 de junho de 2013

ATÉ QUE A MORTE NOS SEPARE


Não sabia….
Nem sonhava!
Não sabia que a morte separava…
(De vez).

Pensava:

é só uma pausa
nesta angustia de saber
que tu morrias.

Como eu gostava…

(Sonhar o que sonhavas
Viver o que vivias
(Re) Escrever o que escrevias)

De dizer

Vou esperar….

Talvez um dia…

Perdoa.
Eu não sabia que a morte separava