Há poemas que se escrevem numa
vida inteira. A 26 de Julho de 1958, (um ano depois de deixarmos o Lubango), eu
perguntava ao meu amigo Henrique:
“Porque será que os anos se escoam tão depressa, quando há dias tão longos que
levam uma vida a passar?”. Mais de meio século vivido, faço a mesma pergunta:
porque se escoaram os anos tão depressa? Em 2006, no regresso ao Lubango, encontrei
a resposta: não se passaram anos, mas um longo dia que, contigo, levou uma vida
a passar.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
segunda-feira, 15 de julho de 2013
VERÃO
Não sei se o tempo é
de saudades ou se simplesmente tenho saudades do tempo que vivi, escolhendo.
Que escolhi viver. Misturo, confundo, sobreponho – tempo, épocas, realidade,
sonhos. Por isso aqui chego, aqui estou, e te procuro: na clandestinidade de um
amor proibido, nas sombras dos momentos celebrados, nas trevas dos tempos
derrotados, na luz desses dias esquecidos. Eu te procuro amor. Neste Verão. O
quarto. Mais uma vez, tu, já não estás.
Valença do Minho, Verão de 2007
sexta-feira, 12 de julho de 2013
MESMO QUE NÃO ESCREVA
São 39 meses hoje. Para que a tua
memória não se apague. Para que o teu exemplo crie raízes. Para termos o
conforto dos teus ensinamentos. Para sentirmos que estás presente. Escrevo,
para não me esquecer de ti. Estás tão junto de nós que não há rotina que nos
faça deixar de te viver. Eu não me vou esquecer de ti, mesmo que não escreva.
Permanece em nós.
Agosto de 2009
quinta-feira, 4 de julho de 2013
segunda-feira, 1 de julho de 2013
MEU AMOR DE SEMPRE
Moscovo Julho 2006
Tu estás.
Tu és.
O ar que respiro
O sol que aquece
O dia que nasce
A noite que desce
Tu estás.
Tu és.
O som da cigarra
O canto das árvores
A brisa que sopra
A voz da guitarra
Tu estás.
Tu és
Meu sonho dolente
Meu calor de menina
Uma voz de poeta
Meu amor de sempre
Tu és?
Tu foste
O tempo ajustado
Aos filhos criados
E aos netos nascidos.
Nos sorrisos roubados
Tu foste.
Tu és.
Meu amor …. sempre
sexta-feira, 28 de junho de 2013
FALANDO DE DEMOCRACIA
Relembrar a comemoração dos 75º aniversário
da OIT em 1994, é também recordar as palavras que utilizou numa das suas comunicações,
quando, por esse motivo, esteve em Macau.
O Henrique era, à época, Presidente do Conselho Económico e Social. Macau, Território
sob Administração Portuguesa. Passaram
20 anos. Os valores, que defendeu, não têm idade. São valores perenes. Não
podemos deixar que os maus ventos que sopram, provoquem o seu esquecimento.
O tema “
Democratização Política, Económica e Social no Mundo”
“Quer o
tema que mais pertinentemente me pareceu dever tratar, quer o perturbante
contexto mundial que nos enlaça, justificam que o acento tónico deste acto de
homenagem à OIT seja colocado no reavivar e no reequacionar dos grandes valores
e princípios que presidiram à sua fundação e têm imprimido corpo à sua acção de
cunho internacional e de efeitos perduráveis. Refiro-me, naturalmente, aos
valores e princípios inerentes aos direitos fundamentais do homem e aos
que implicam a exigência de justiça social.
As
sociedades democráticas caracterizam-se pelo reconhecimento e pautam-se pela
garantia efectiva de exercício dos direitos fundamentais do homem. Significa
que aderem aos princípios da “Declaração Universal dos Direitos do Homem”, do “Pacto
relativo aos direitos económicos sociais e culturais” e do “Pacto e Protocolo
relativos aos direitos cívicos e políticos”.(…)
Ora, é
irrecusável o reconhecimento de que sem liberdades políticas e cívicas – numa palavra,
sem a existência de uma Democracia pluralista – não há liberdades fundamentais.
E sem estas não há direitos fundamentais no mundo do trabalho”. (…)
quinta-feira, 27 de junho de 2013
O INTERREGNO
Com a devida vénia reproduzo um excerto de um
artigo de opinião publicado no Jornal “O Público” com data de 13 de Junho de
2013, da autoria de Alberto Pinto Nogueira, Procurador Geral Adjunto
“O país não vive em interregno. É um
interregno! Henrique do Nascimento Rodrigues foi Provedor de Justiça de 2000 a
2009. Cidadão insigne, como tal conhecido não só no país como no estrangeiro.
Salientou-se sobretudo no mundo do trabalho, tendo exercido o cargo com
competência, independência e grande elevação. Na Provedoria de Justiça, apesar
de gravemente doente, permaneceu mais um ano para além do segundo mandato que a
pusilanimidade dos políticos, nos seus jogos de bastidores, nos truques, nos
interesses, demorou a substitui-lo. Para de seguida ocuparem o cargo, foram
propostos o Professor Jorge Miranda e
Laborinho Lúcio, não menos insignes cidadãos e juristas de alta craveira
nacional e internacional. A mesma pusilanimidade fez recusar estas personalidades
para o cargo. Os jogos, as manipulações dos políticos não têm limites: não
poupam seja quem for, ao sabor dos seus interesses mesquinhos. O País empobrece
de cidadãos superiores, mas enriquece e engorda de mediocridades partidárias.
Desprestigiam e desprezam os homens livres, mas acariciam e promovem os
medíocres e bajuladores! É assim em tudo. Ou quase”.
Passaram quatro anos. O Henrique renunciou ao
cargo a 3 de Junho de 2009, obrigando os partidos, por imposição da lei, a
eleger um novo Provedor de Justiça. Ironia das ironias! O actual Provedor enfrenta
o mesmo problema. PS e PSD, não se entendem! Esperará quanto tempo? O apelo do
Henrique: “ os partidos têm que se entender, para bem do país”, caiu em saco
roto"

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