Três de Agosto. Dia dos teus 75 anos. Dia de família. Dia de
férias. Tu já não estás. Meses, anos. De ausência. De
falta. De saudade. Quantos? Não interessa.
Começo a ler-te. O tempo pára. A eternidade
dilui-se, desfaz-se. Num repente, estás aqui. Estamos juntos. Em família. Apetece-me dizer: Parabéns, Henrique.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
sexta-feira, 26 de junho de 2015
NO LIMIAR DO ESQUECIMENTO
O
passado faz-se presente. As memórias seguem-se como vagas. São memórias datadas
no limiar do esquecimento.
Será
que 1958 existiu? Escrevias então! “Para mim começou uma nova vida.” (…Angola
tinha ficado para trás….) “Eu poderei, aparentemente, parecer modificado. A
vida na metrópole, talvez mo venha a exigir; mas no fundo, cá no íntimo, eu
serei sempre o que tenho sido, porque os meus Pais têm orgulho nisso, os meus
filhos também o hão-de ter…e eu também!
Queria
que soubesses – que eu, serei eu, por toda a vida! Sempre, porque estou
plenamente convencido, sem vaidades, que este é o caminho que eu devo trilhar,
para ser um homem de bem, honrado e digno”.
2015….
O tempo não parou, Não fez pausas – para sentir, para pensar, para recuperar
pequenos nadas que se foram perdendo ao longo da vida.
Tu
és memória, exemplo. Referência ética. Na família. No País. No partido. Só a saudade faz com que tudo pare no tempo.
domingo, 12 de abril de 2015
ESTE É O TEMPO
“Este é o tempo”. Da
Memória. Da Saudade. Cinco anos
“Este é o tempo
Este é o tempo
Da selva mais obscura
Até o ar azul se tornou grades
E a luz do sol se tornou impura
Esta é a noite
Densa de chacais
Pesada de amargura”
……………………………
Sophia de Mello Breyner
in Mar Novo 1958
domingo, 22 de março de 2015
O SÉTIMO PROVEDOR DE JUSTIÇA

Sabes, Henrique, estive na Provedoria de Justiça. Dia 18 de Março. Encontrei os teus colaboradores e amigos. Todos. Dia importante. Dia de memórias….. recordações….. Os olhos….. diziam uns. O sorriso…. diziam outros….. Saudades….. diziam todos. Pois é, meu amor, 40 anos na vida de uma Instituição obriga a comemorações. Desta vez foi a inauguração da “Galeria de retratos a óleo dos antigos Provedores de Justiça". Lá estavas tu, O Sétimo Provedor. Gostei do quadro. E lembrei-me de palavras tuas. Escritas. Precisamente há 10 anos. Disseste:
“As
Instituições são o que são os seus protagonistas. O cargo não se detém:
exerce-se, faz-se, cumpre-se. E o mandato encerra, por natureza um estilo de
ser e fazer que revela a inultrapassável individualidade do seu titular. É
justo realçar, pois, o acerto com que sempre o nosso Parlamento procedeu à
escolha dos seis Provedores de Justiça que me antecederam: Costa Brás, Magalhães
Godinho, Pamplona Corte- Real, Almeida Ribeiro, Mário Raposo, Menéres Pimentel.
Prova disso é que sabemos recordar os seus nomes. Nomes de Provedores de
Justiça, pois.”
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
FAÇO HOJE VINTE ANOS
Carta ao meu neto, (que faz hoje
vinte anos).
“Faço hoje 20 anos. Vinte anos é
uma idade em que o sonho vai ficando para trás para dar lugar às
responsabilidades.
……………………………………………………………………
A vida é o que está em frente e
não o que ficou. As preocupações não resolvem nada: o que temos é que encarar
as coisas como elas são ………
Não podemos ter descanso porque o
tempo é escasso; por enquanto, não podemos sonhar.
Só te peço que encontres em ti as forças
necessárias para lutar sempre pela vida. Ela não é fácil, e por isso temos que
encontrar dentro de nós a vitalidade suficiente para nunca desanimar.
É isso que eu quero que tu me prometas.
Desaires, todos têm e nós não podemos escapar-lhes. Mas há que lutar, lutar com
todas as forças, porque o resto… o resto virá!
Tenho vergonha de mim quando não
estudo o suficiente. Não pretendo ser um grande aluno. Quero apenas, cumprir o
que devo.
Quero mostrar a mim próprio que posso sonhar
porque tenho esse direito. Quem não luta não tem direito a ter sonhos. Temos
que renunciar a determinadas coisas que nos agradam para nos dedicarmos a
outras. É assim agora enquanto estudamos, será assim depois, sempre.
Nunca te esqueças, a vida é
renúncia de uma coisa para se conquistar outra. Se não quisermos acreditar, se
quisermos continuar a viver tudo ao mesmo tempo, então acabamos por não agarrar
nada.”
Luanda 3 de Agosto de 1960
Henrique Nascimento Rodrigues
domingo, 28 de setembro de 2014
O TEMPO NÃO PARA

No decurso de uma vida há acontecimentos, encontros, desencontros…
No fim, quando tudo termina, (e olhamos para o que resta, nas recordações do passado), ficamos a pensar: será que alguma coisa acontece por acaso?
Quando,
no espaço e no tempo, encontramos alguém que nos marca, esse encontro faz ou não
parte de um desígnio, de um plano pré – estabelecido?
Pode ser.
Depende é de cada um de nós, seguir ou não esse caminho. O encontro existiu. O
resultado, não foi desígnio, foi vontade de construir um futuro comum.
Mangualde 4 de Outubro de 1992
Mangualde 4 de Outubro de 1992
sábado, 19 de abril de 2014
QUANDO A NOITE CAI
As gaivotas
Pôr do Sol - Casa da Takula
A saudade é grito!
Rompe o silêncio,
do tempo que foi,
quando a noite cai.
É nó na garganta
que desce no peito,
e, sobe nas lágrimas
dos olhos que doem.
É grito que arde,
nas chamas da espera,
quando as horas
passam,
e, é noite cerrada.
(não bates à porta,
teu carro não chega).
Já surgem palavras.
Já rodam perguntas,
E o grito desliza
no silêncio que sobra.
Quando a noite cai




