Rosto sereno, sorriso aberto, brilho no olhar. É impossível a despedida para sempre.
domingo, 1 de janeiro de 2012
ANO BOM OU ANO MAU?
(2012) “Já começou há pouco. Estralejaram foguetes, tocaram-se as gaitas, deram-se vivas, desejaram-se felicidades, todo o mundo esquece as horas más que viveu e, fica confiante, tão confiante como uma inocente criança – em que ( 2012 ) será, na verdade um ano melhor que (2011) defunto! Eu também acredito que será um ano melhor do que o que passou. Acredito, não só porque também vive em mim essa parcela de esperança que se encara, nesta data, em toda a humanidade, como também porque lutarei para que ele seja melhor.
Obrigada Senhor, pelo que me deste em (2011).
Dia de ano Bom! Por mais que eu deseje, não posso deixar de sorrir amargamente
Lisboa 1 de Janeiro de 1959
sábado, 31 de dezembro de 2011
ANO MAU OU ANO BOM?
O Henrique escreveu este pequeno texto no último dia do,
segundo ele, pior ano da sua vida, 1958. A pergunta que faz a si próprio,
fazemo-la todos nós no balanço do ano que agora termina. Por isso é intemporal
e, aplica-se, também, a este final de 2011.
“Faltam apenas 3 horas para morrer este
celebérrimo ano. Mas na vida existirá porventura algum ano que não seja
“celebérrimo”?... (2011) “não fugirá à regra, também é um ano celebérrimo. Mas foi mais do que os outros anos e só uma
dúvida cruel me assalta o espírito neste momento e me faz ter medo de responder:
foi bom ou foi mau? Todo o conceito de
bom e mau é relativo; relativo, porque,
partindo de uma base como aquela em que eu vivo, poderemos achegar-nos à
sacramental pergunta: - que mais deseja senão pão para a boca e um lar quente?.
- Vendo as coisas sob esse aspecto, é lógico que eu não posso definir este ano
como melhor ou pior do que os outros. Foi um ano igual, foi um ano bom, enfim!
Mas houve outras coisas que, não chocando com este conceito de bom, influíram
nestes já quase passados 365 dias. Analisando-os
a dúvida subsiste: foi bom ou mau?"
Lisboa 31 de Dezembro 1958
VOTOS DE PAZ
31 de Dezembro de 1981: Em título na comunicação social:
Para o Ano Novo, Nascimento Rodrigues, Vice-presidente do
PSD “ desejaria a consolidação constitucional da democracia plena no nosso
País, única forma de fortalecimento do regime, de edificação do Estado
democrático e de plena dignificação de Portugal, e que soubéssemos, em conjunto
e em solidariedade, ajudar a encontrar e construir as vias de recuperação
económica e financeira do País, por forma a haver justiça social mais alargada
estável e equitativa para todos os Portugueses”.
Para 1982, Nascimento Rodrigues não deixa de desejar que
todos os portugueses” quer os residentes no território nacional quer os
residentes no estrangeiro, comungassem mais intimamente nas ideias de
engrandecimento do País”. Desejava também que a segunda geração de portugueses,
residentes no estrangeiro” conhecesse, sentisse e amasse Portugal”.
A nível internacional, Nascimento Rodrigues gostaria que no
próximo ano, “se estabelecesse uma paz sólida em todo o Mundo e que
desaparecessem as situações ditatoriais existentes em vários países.
Finalmente, o dirigente do PSD fez um voto pessoal: “
cumprir com coerência e fidelidade o mandato que me deram até ao próximo
Congresso, data a partir da qual desejaria retomar a minha actividade
profissional, inteiramente”.
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
GREVE DOS MAQUINISTAS DA CP - EM1981 FOI ASSIM
Portaria nº
478-A/81
de 9 de Junho
Dando
execução à resolução do Conselho de Ministros que reconheceu a necessidade de
se proceder à requisição civil do pessoal da CP – Caminhos de Ferro Portugueses
E.P., e de harmonia com o disposto no artigo 4º, nº2, do Decreto – Lei nº
637/74, de 20 de Novembro:
Manda o
Governo da República, pelos Ministros dos Transportes e Comunicação e do
Trabalho, o seguinte:
1º São
requisitados, nos termos e ao abrigo dos n.os 1, 2, alínea g), e 4 do artigo 8º
da lei 65 /77 e do artigo 3º, nº1 alínea c), do Decreto –Lei nº 637/74, os
trabalhadores da CP- Caminhos de Ferro E.P., que se encontram em greve na
decorrência da situação de greve decretada pelo Sindicato Nacional dos Maquinistas
dos Caminhos de Ferro Portugueses.
2º É dever
dos requisitados desempenharem as funções que lhes estão habitualmente
cometidas no âmbito da estrutura, quadros e estatutos de trabalho da empresa.
……………………
Contem mais
cinco alíneas, é assinado com a data de 9 de Junho pelos Ministros do Trabalho
e dos Transportes.
“ O Governo cumpriu o seu dever legal e democrático ao
proceder à requisição dos maquinistas em greve. Os resultados positivos da
requisição só prestigiam a nossa ordem democrática e são prova de que a
autoridade, quando exercida com razão e no estrito respeito da lei, reforça as
condições de exercício dos direitos fundamentais de todos os cidadãos.
Desejaria sublinhar o imenso respeito que me merece a
atitude de civismo e de dignidade das populações até hoje afectadas pela greve
e a minha esperança em que o exercício do direito à greve, em qualquer sector
ou empresa, se exerça sempre com atenção e respeito para com os interesses e
direitos de todas as camadas de cidadãos portugueses.”
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
POEMA DO SEMBA
huhummm o semba,
semba é canto de avenida,
é chuva de primavera,
semba é morte
semba é vida,
huhummm o semba
semba é o meu choro dolente,
olhar nossa vida de frente
semba é suor
semba é gente,
o canto,
do semba o canto
do semba ele é nobre,
o canto do semba ele é rico,
o canto do semba ele é pobre,
o canto do semba ele é rico,
o canto do semba ele é pobre,
o semba do morro
o semba do morro é fogueira,
o semba que trás liberdade,
o semba da nossa bandeira,
o semba que trás liberdade,
o semba da nossa bandeira.
huhummm o semba,
semba é canuco de rua,
na escola da vida ele cresce,
de tanto apanhar se habitua,
na escola da vida ele cresce,
de tanto apanhar se habitua,
a voz do meu semba
a voz do meu semba urbano
é a voz que me faz suportar
orgulho em ser angolano,
é a voz que me faz suportar
orgulho em ser angolano,
angolazé,
o sembaaaaaa semba é a nossa alegria paulo,
semba é a nossa bandeira
é esperança é amor,
hummm o sembaaaa
semba tua maneira moh kota,
semba é a nossa bandeira
nossa forma de cantarrrrr.
o sembaaaa
semba tua maneira
moh semba é a nossa bandeira,
nossa forma de cantar.
o sembaaaa
semba é a nossa alegria paulo,
semba é a nossa bandeira
é esperança é amor.
OUVIR PARA APRENDER
"É uma virtude, até certo ponto, o
saber retirar a tempo. Ora, quando se vê que não temos razão, outro caminho não
nos deve restar senão calarmo-nos e ouvir – para aprender.
O Lisboeta não o sabe fazer. É um
tipo que discute a torto e a direito e, sobre tudo, que não abdica dos seus
pontos de vista, quando estes são claramente rebatíveis, quando se está a ver
de maneira inequívoca, que estão errados. Já tive oportunidade de o verificar
em conversas com colegas meus. É espantoso mesmo!, a teimosia crassa que eles tomam
para defender os seus pontos de vista. Admiro, sem dúvida, todos aqueles que,
cientes da sua cultura e do seu modo de pensar, os defendem com unhas e dentes;
mas admiro, também, aqueles que reconhecem o seu ponto de vista errado. Ora o
que tenho visto chega-me para concluir, talvez à priori, porque meia dúzia de
casos não são suficientes para os tornar com regra geral: o Lisboeta não tem
uma cultura sólida. Tem, sim, uma cultura um pouco vasta mas pessimamente
aprendida, erradamente estudada e, então estupidamente defendida.
São muitos os problemas metropolitanos.
Para já e antes de tudo, dois, eu acho fundamentais: o problema económico e o
problema educacional. Digo educacional, de preferência a cultural, porque,
antes do resto, é mister aperfeiçoar o espírito para que ele possa receber os
respectivos ensinamentos. Sem ser educado o povo não pode ser cultivado.
Primeiro cultiva-se a alma e só depois o cérebro."
Lisboa 1958

