terça-feira, 16 de março de 2010

MENINA PRETA

Menina preta das trancinhas curtas,
Com esmero entrelaçadas,
Com seu vestido novo, rameado,
E um colar de missangas esmaltadas;
O que vê ela na pocinha de água
Que a chuva fez no chão,
Com seus olhitos duma ingénua mágoa,
Presos ali de singular visão?...
Mira-se ao espelho de água prateada
Que a chuva deixou na rua…
Pensa, talvez, que a imagem não é sua,
Mas de algum anjo de veludo negro,
Anjo vestido de candura e luz,
Que um missionário bom inda há-de pôr
Nesse presépio onde nasceu Jesus…

(Poesia de J. Galvão Balsa, in “Oiro e cinza do sertão”)