quarta-feira, 31 de março de 2010

NOTAS POLÍTICAS (31)

As palavras de felicitações publicamente dirigidas pelo Presidente da República ao novo líder do PSD, logo seguidas por referências à necessidade de estabilidade política, desencadearam já o costumeiro burburinho político. E porquê? Porque foram entendidas como um “condicionamento” inadmissível à autonomia e independência políticas de que deve beneficiar a nova liderança do PSD.

Eu sempre aprendi, e a experiência da vida ensinou-me, que só nos deixamos condicionar se formos tão frágeis que o consintamos. Não quero acreditar que Passos Coelho seja tão frágil como isso.

E, depois, o que o Presidente da República fez foi acentuar, uma vez mais, aquilo que tem repetidamente dito: que a estabilidade é uma condição da governabilidade e que o País está tão carecido de ser tão (bem) governado como estamos carecidos de ter trabalho ou pão para a boca.

Eu sei que há os eternos contestatários, os que não acreditam em nada disto, os que estão descrentes e, até, os que já estão verdadeiramente zangados com Cavaco Silva, tendo sido seus apoiantes.

Tudo bem. Deixem-me recordar a todos esses apenas duas simples coisas que acabam de ter lugar já depois das declarações do Presidente da República. A primeira é o Relatório da Primavera do Banco de Portugal, que revê em baixa as previsões do Governo quanto a algumas das principais variáveis macroeconómicas do País, designadamente o crescimento do PIB. A segunda é a notícia de que a Grécia viu ontem disparar de novo as taxas de juro que os investidores lhe reclamam para lhe emprestar dinheiro, o dinheiro de que carece para sobreviver no dia-a-dia.

Já sei que nós não somos a Grécia…Espero que, ao menos, não sejamos inconscientes.